Resenha: “Mares de Sangue”, de Scott Lynch, publicado pela Arqueiro

Mares de Sangue é chato, mas ainda mostra a mente incrível de Scott Lynch
mares sangueInformações Gerais
Título original: Red seas under Red skies
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580413144
Páginas: 512
Ano (edição): 2014
Autor: Scott Lynch
Nota Skoob: 4.4

Um livro é ruim ou a gente é que cria altas expectativa – seja por comentários de outros ou por um livro anterior a ele – e acaba se frustrando? Me deparei com esta pergunta, novamente, ao fim da leitura de Mares de Sangue, o segundo volume da trilogia Nobres Vigaristas, e que é sequência do ótimo As mentiras de Locke Lamora. Não sei se consigo responder a esta questão. Mas o fato é que Mares de Sangue não chegou nem perto do primeiro, me deixando rapidamente chateado.

Nesta sequência, o leitor é convidado a acompanhar a história de Locke e Jean tempos depois dos episódios derradeiros do primeiro volume da trilogia. Agora que fugiram Camorr, eles precisam arranjar um lugar para ficar – e aplicar seus golpes. Este local é Tal Verrar. Lá, a dupla voltará a aplicar seus golpes. Mas, não poderia esperar, no entanto, que seria vítima de uma armadilha que vai colocar ambos no meio de uma grande trama conspiratória.

O livro, ao mesmo tempo que mantem a qualidade do primeiro em vários aspectos, apresenta algumas situações chatas e, por vezes, entediantes. A bem da verdade, o livro todo soou como desnecessário. O plot central até pode parecer interessante à primeira vista. Mas não é. Além de não dar uma sequência de acontecimentos de “As mentiras…“, já que o arco foi fechado lá, a aventura principal, aquela trama cujo os protagonistas acabam se metendo, soa artificial e para encher linguiça, no jargão popular.

Quando começa, apesar de um pouco lento, parece promissor, apresentando inclusive bons personagens novos. Logo somos apresentados a um grande golpe que está sendo orquestrado pelos dois protagonistas. A sensação é de que, apesar de ser mais do mesmo, vem uma boa aventura, pois a história contada neste exato momento é interessante. Além disso, intercalando com isso, há capítulos de dois anos atrás, que mostram Locke e Jean chegando a Tal Verrar, o que faz o ritmo cair rapidamente. E o que se segue dá uma grande guinada no livro, o tornando ainda mais maçante. Com isso, boa parte dele vai se passar dentro de um navio. Mas vamos por partes.

mares sangue 1

Uma das capas originais

O autor Scott Lynch tem uma mente poderosa e incrível em se tratando de criar história para os dois criminosos. Os golpes são detalhados e muito bem construídos. Posto isso, a parte em que ele quer dar um golpe na Agulha do Pecado enche os olhos. Até a parte em que um outro líder verrari aparece na história e o coloca como vítima de uma trama diferente. Parece que houve uma ruptura. É possível dizer que parece que se inicia um outro livro, embora aquela outra trama ainda esteja presente. O problema é que esta segunda parte é chata. Com termos técnicos em excesso e uma história sem muito foco, ela vai fazendo o leitor perder o interesse. Não poderia estar mais desinteressado com aquelas tramas da metade em diante.

Mas tirando isso tudo, é preciso destacar que, além do poder do autor em criar as histórias, como já dito acima, a escrita e o diálogo são o forte do autor. Poucos autores têm esta precisão e cuidado com a escrita. É poética e ao mesmo tempo forte e precisa. Os diálogos não são nada artificiais, mesmo se tratando de uma fantasia. É muito prazeroso acompanhar o livro a partir deste ponto de vista. Soma-se a isso os personagens. Além de Locke e Jean, que tem na obra um teste colocado à prova em relação a amizade, e que são muito bem construídos, há outros tipos. Vilões de grande qualidade, personagens que aparecem em vários momentos bastante profundos e precisos.

Em suma, um livro de contrastes. Que mantem a qualidade de escrita e construção de mundo – que, aliás, para não me alongar, é algo positivo que acontece neste livro, já que Scott nos mostra muito mais desse lugar criado, que antes não conhecíamos – mas acaba por decaindo em dar uma sequência à altura ao primeiro livro da trilogia. O que Scott construiu foi brilhante e grandioso e tem um produto incrível para dar uma continuidade de tal tamanho também. Espero que República de Ladrões supere Mares de Sangue e nos traga uma trama tão interessante quanto foi As mentiras de Loke Lamora.

Notas 3

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