Resenha: “Biblioteca de almas”, de Ransom Riggs, publicado pela Intrínseca

Biblioteca de almas é um encerramento correto para uma trilogia simpática
download (1)Informações Gerais
Título original
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580579666
Páginas: 416
Ano: 2016
Autor: Ransom Riggs
Nota Skoob: 4,3

Terceiro livro e desfecho da trilogia, Biblioteca de Almas consegue fechar uma história simpática e agradável de se acompanhar. Com vários altos e baixos ao longo dos três livros, a trilogia divide muitas opiniões. Há quem considere uma história simples mas poderosa, mas há aqueles que acham que a trilogia do Lar da Srta Peregrine para Crianças Peculiares é superestimada. Particularmente, acredito que os livros têm um objetivo bem simples que é entreter e divertir, mas também refletir que aparência não é tudo numa pessoa e que seu interior importa muito mais. Não é uma história poderosa, contudo. Mas é divertida, sem dúvida.

No terceiro livro, a história continua com a aventura de Jacob em tentar salvar a Srta. Peregrine e seus amigos peculiares. Viajando pela Londres dos dias atuais, até chegar a um local chamado de Recanto do Demônio, o protagonista, a amada Emma e outros personagens que vão aparecendo ao longo das páginas vivem uma grande aventura com um final épico para salvar o mundo peculiar daqueles vilões que conhecemos ainda no primeiro livro. É no Recanto do Demônio que grandes batalhas serão travadas e verdades serão reveladas. É a definitiva luta do bem contra o mal.

Mesmo não sendo melhor que o primeiro, Biblioteca de almas consegue superar o segundo, que pra mim se mostrou bastante desnecessário e sem objetivo algum. O livro apresenta vários problemas, mas mantem a qualidade que o autor revelou lá no primeiro volume: a escrita e os diálogos. Esses são, de longe os grandes destaques. Acredito que o principal problema ainda seja de fato a narrativa descritiva que Ranson Riggs emprega em seus livros. A história perde muito em agilidade e qualidade toda vez, e não são poucas, que o autor começa a descrever cenários e personagens. Ele exagera nos detalhes, perde páginas contando como cada coisa se parece e perde tempo em desenvolver uma ótima história que tem em mãos.

A primeira parte do livro se mantem chata como no anterior, quando os personagens se movimentam e não chegam a lugar algum. Tem pouco acontecimento relevante a não ser algumas cenas de ação que não são lá muito interessantes. Mas depois que eles chegam ao Recanto do Demônio e a história se torna mais palpável, mais densa e profunda, o livro tem um grande avanço em qualidade e se torna mais interessante de acompanhar. Tem umas passagens, no entanto, que às vezes parecem estar brincando com o leitor. Ora óbvias, ora fáceis demais, por exemplo, de se conseguir chegar a algum lugar. Eles têm muita sorte e isso é um pouco estranho.

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Capa original da obra

Mas em se tratando de qualidade, o autor consegue se redimir da maioria dos problemas. Como já disse, a escrita é bastante boa. Com isso, a leitura se torna fluída, rápida e leve. Não há dificuldade em entender o que ele quer contar. Talvez, mesmo tão cedo, se iguale a grandes autores. Isso vem dos três livros e só foi aprimorando nos seguintes. Outro fator que merece destaque é a criação dos personagens. Ele conseguiu dar personalidade a todos eles, além carisma e verdade. Mas o maior elogio se dirige, sem dúvida, aos diálogos em si. E aí eu digo, sem medo de exagerar, que ele é um dos autores que mais consegue escrever diálogos naturais, inteligentes, explicativos e reais. É como se o leitor estive no meio de uma conversa, tamanha a perspicácia na construção daquele texto. Eu ri em várias passagens, especialmente da Emma, que está ainda melhor nesse livro, com tiradas boas, me lembrou até, em alguns momentos, a Hermione, de Harry Potter, e isso é um elogio.

A reta final do livro, a parte que deu desfecho à história criada por Riggs, é bastante coerente. Desde as batalhas, até as decisões de Jacob em seguir uma vida peculiar ou humana, tudo foi se encaminhando dentro daquilo que se esperava. Apesar de até ser um pouco dolorosa, achei a melhor decisão. No entanto, lá pelas últimas páginas, nos últimos respiros do livro, o autor recorreu a um clichê tão grande que me incomodou um pouco, mas nada que atrapalhasse o todo da obra.

Na soma total, como já disse, a trilogia me agradou bastante. Em momento algum recebi a informação que o livro teria crianças com superpoderes ou que se tratava de uma história de terror. E foram essas as principais reclamações de leitores. Ou que os poderes eram bizarros e sem sentido, ou que esperavam um livro de terror e se deparavam com uma história infantojuvenil. Ora, eles não venderam um terror, problema do leitor esperar errado. A mensagem final é bacana, especialmente na formação de crianças, que tendem a ser as grandes leitoras da obra dele, mas que, sem problema algum, muito pelo contrário, pode e deve ser lida por todos os públicos. Certamente quero ler mais livros, as novas criações de Riggs. Para o fechamento dessa trilogia, quatro estrelas.

Notas 4

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