Resenha: “A menina que brincava com fogo”, de Stieg Larson, publicado pela Cia das Letras

Um livro que também pode ser uma verdadeira aula para quem quiser aprender a escrever romance policial
14017_ggInformações Gerais
Título original: Flickan som lekte med elden
Editora: Companhia das letras
ISBN: 9788535926170
Páginas: 608
Ano: 2015
Autor: Stieg Larsson
Nota Skoob: 4,6

Ainda focado em revelar as mazelas da sociedade perante as mulheres, Stieg Larson tem, em seu segundo livro da série Millennium, aquilo que se pode chamar de confirmação de talento. Ainda melhor que o primeiro, A menina que brincava com fogo é a prova de que o autor pode ser considerado um verdadeiro professor do que é escrever romance policial aos demais autores, tanto os novos como alguns mais antigos. E isso não é exagero algum. Com uma trama cheia de pontas, ele é capaz de nos prender com uma história profunda, coerente e viciante.

Desta vez, são os próprios protagonistas que se envolverão em um grande mistério, perfeitamente construído. Depois do sucesso da união profissional entre Lisbeth Salander e Mikael Blimkvist, cada um agora segue sua vida. Lisbeth querendo se afastar do colega, e ele fazendo justamente o contrário. A Millennium segue em ascendência. Até que um crime, envolvendo dois jornalistas ligados à revista, pode por tudo a perder. E tudo indica quem foi Lisbeth a responsável pela barbárie. A partir daí, a polícia iniciará uma investigação para desvendar o mistério, enquanto que o próprio Mikael vai tentar chegar à conclusão e provar a inocência da protagonista.

A exemplo do que a maioria dos leitores diz depois de ler, também virei fã da série assim que mergulhei na leitura do primeiro livro. A escrita, a construção, o desenvolvimento. Tudo, na obra de Larson, funcionou para mim, claro, com algumas e poucas ressalvas. E este segundo livro veio com a clara intenção de dizer: se você gostou tanto assim do primeiro, você não perde por esperar. Há um claro avanço em tudo. Na história, na escrita, no desenvolvimento, nos personagens e, principalmente, numa trama ainda mais madura, complexa e cheia de detalhes que podem fazer toda a diferença.

Apesar de, novamente, um início lento, a história agrada desde as primeiras páginas. Mas é lá pra frente, entre o que se pode chamar de pouco depois do início e pouco antes da metade, que o livro “pega fogo”. É neste momento que o grande mote do livro se desenvolve e também quando o grande suspense deste romance policial tem início. Daí para frente, pelas próximas quase trezentas páginas, é uma leitura de tirar o fôlego, daquelas que você não consegue desgrudar, tamanho o detalhismo empregado pelo autor ao criar um mistério incrivelmente convidativo. Esse ritmo intenso só cai pouco antes do final, quando alguns segredos começam a ser revelados e estragou um pouco o clímax de minha experiência literária.

Flickansomlektemedelden

Capa original

 

Lisbeth está ainda mais esperta, ainda mais corajosa, ainda mais gostosa de ser lida. A gente conhece ainda mais a personalidade da protagonista da trilogia original de Stieg Larson e passa a entendê-la melhor. Mas são nas revelações finais que a gente passa a entender quem é essa hacker de verdade. Mikael ainda é um bom personagem também, gosto dele, mas atrapalha um pouco o heroísmo empregado à personalidade dele. Além disso, vários novos personagens são inseridos, como os dois jornalistas que estarão envolvidos na trama central, além dos policiais que entram na investigação. São ótimos tipos concebidos pelo autor. Sem falar nos novos vilões que aparecem…

A trama te convence de verdade. O livro, assim como o primeiro volume, te passa aquela verdade enquanto é lido – principal característica para mim, como leitor. Um suspense com uma teia enorme, que você não entende para que lado está indo ou que confusão o autor está criando, mas que ao final se encaixa de forma a te dar um soco na cara com tamanhas revelações. Incomoda apenas algumas informações reveladas naquilo que considero um pouco antes da hora para mim, e a reta final, que mostrou uma Lisbeth talvez um pouco irracional, diferente daquelas que conhecemos bem. Clichês à parte nesta parte final, outro grande destaque é o objetivo bastante claro em estar do lado da mulher e lutar contra a violência e contra a diminuição do gênero perante a sociedade.

Com mais de 600 páginas, não é sacrifício algum ler este calhamaço – dos quais eu costumo fugir. A leitura voa, sem brincadeira. O sucesso alcançado pela história é merecido e talvez esteja ainda aquém do que deveria ser. Sem problemas de revisão e com uma diagramação bem cuidada, que mantem o padrão do trabalho do primeiro livro, A menina que brincava com fogo vem para mostrar que Stieg é um professor do gênero e nos faz lamentar profundamente ter morrido tão cedo, antes de nos deixar outras obras incríveis que certamente sairiam da mente brilhante que ele tem. Que venha o último livro da trilogia original. Por enquanto, cinco estrelas para este.

Notas 5

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