Resenha: “Um mundo melhor”, de Marcus Sakey, publicado pela Galera Record

Um livro que mostra amadurecimento e evolução, tanto da história quanto do autor
Um-mundo-melhor-Marcus-SakeyInformações Gerais
Título original: A better world
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501071590
Páginas: 420
Ano: 2016
Autor: Marcus Sakey
Nota Skoob: 4,5

Eu estou muito acostumado a esperar menos pelos segundos livros de uma série (ou trilogia). Normalmente considero que o(a) autor(a) exagera na intenção de dar uma continuidade justa à história, ao mesmo tempo que tenta deixá-lo melhor que o primeiro. Mas acredito que este seja um problema para aqueles que escrevem livros sem pensar no todo e sim por etapas – pensam na história, escrevem o primeiro livro e só se preocupam com a estrutura detalhada do segundo depois. Porém, este não pareceu o caso de Marcus Sakey, que conseguiu evoluir ainda mais a obra que criou, mostrando que houve sim preocupação de continuidade quando da construção da série Brilhantes. Um mundo melhor é, sem dúvida, superior ao primeiro volume.

A história evoluiu. Agora não é mais um caso do DAR, em que Nick Cooper precisa localizar a maior ameaça anormal dos Estados Unidos. Não é mais uma história em que ele descobre que John Smith é inocente. Agora, a série dá uma guinada a uma trama política real, em que o epicentro dela é a briga entre Anormais e Normais, mas fomentada pelo próprio governo. Não é nada complexo. A “briga” entre os dois lados se acentua depois que um grupo desconhecido denominado Filhos de Darwim, e possivelmente formado por anormais, passa a realizar ataques. Cidades ficam sitiadas. Relações políticas ficam abaladas. E Nick Cooper está ainda mais no meio da trama pois agora é assessor do novo presidente dos Estados Unidos.

Eu estava com medo de ler a continuação de Brilhantes pois não sabia pra que lado a história poderia andar depois da grata surpresa que foi o primeiro livro. Não acreditava que essa história de super dotados pudesse se tornar nisso tudo que Sakey conseguiu construir no segundo volume. O autor até pode exagerar nos elementos. Mas ele faz isso sabendo usar muito bem para construir um livro com L maiúsculo. Muita ação, muitas viradas, e, claro, muita genialidade para cuidar de todos os detalhes. Pra quem gostou do primeiro livro, vai encontrar muitos ingredientes vistos nele, mas utilizados de formas diferentes e ainda melhor. Mas, sem dúvida alguma, o grande destaque vai para o cuidado MINIMALISTA que o autor tomou pra construir a história, pois tudo se encaixa e se torna plausível. A trama se torna ainda mais viciante quanto tudo se volta a um cientista e um grande mistério envolvendo os brilhantes.

Nesta resenha vou me ater praticamente a falar só do que deu certo, já que os erros foram muito poucos. Pra mim, quase tudo funcionou. Houve alguns momentos de leitura um pouco mais lenta, de momentos em que nada acontecia, talvez um lapso do autor em criar uma pequena barriga, ou refletir sobre desnecessidades. Mas, como disse, estes momentos são raros. Do início ao fim, predomina um livro com ótima história, muito ritmo, leitura ágil. E não é nada difícil você se habituar o cenário, caso tenha lido o primeiro volume com bastante antecedência. Ao longo das páginas, esse autor, que mal conhece e já considero pakas, vai nos lembrando dos principais acontecimentos anteriores e a gente não fica nada perdido.

better-world

Uma das capas americanas

Em Um mundo melhor, temos uma diminuta participação de Bobby Quinn, o amigo de Nick, uma pequena redução nas aparições de Shannon, e uma ampliação na presença de Natalie, a ex-esposa de do protagonista. Natalie, inclusive, se mostra uma boa adição à história, quando tinha tudo pra ser uma incomodação. Além destes, tem a chegada do novo presidente dos Estados Unidos, Cley, a aparição de Ethan Park, com a filha e a esposa e uma trama muito misteriosa misturada a doses de aventura. Há, claro, outros personagens, mas não é necessário citar todos eles. O que vale ser dito é que o autor não perde tempo em criar tipos desnecessários. Todos eles acrescentam positivamente, mesmo que em alguns momentos possam parecer perdidos na história.

Teria muito ainda a falar, mas não quero fazer desta uma resenha gigante, por isso vou tentar ser o mais objetivo e rápido nesta reta final. Preciso destacar que a trama de super dotados, por mais que pareça boba ou até uma cópia de mutantes, não tem nada disso. É uma trama inteligente que pode até não parecer no primeiro livro, mas que se revela assim nesta continuação. A evolução da história é notável e até um pouco assustadora. O primeiro, embora não seja tão infantojuvenil, está longe de ser um livro especificamente adulto. Mas em Um mundo melhor, não. Ele assume toda sua característica madura e mostra uma trama política engenhosa e inteligente. Este é um dos livros mais cinematográficos que já li. Adoraria ver a história nas telonas, pois lembra muitos filmes, e certamente daria certo. Toda a genialidade do autor merece os maiores reconhecimentos, porque ele praticamente não deixa furos e as pontas soltas se juntam. Destaque especial para a grande explicação que a história guardava: como surgiram os brilhantes. Sem dúvida, cinco estrelas e favoritado.

Notas 5

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