Resenha: “A cidade dos espelhos”, de Justin Cronin, publicado pela Arqueiro

Épica, A passagem é a melhor trilogia que já li e uma aula de como contar uma boa história
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Título original: City of mirrors
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580416435
Páginas: 668
Ano: 2016
Autor: Justin Cronin
Nota Skoob: 4,4

Acabando A cidade dos espelhos eu termino aquela que talvez seja a melhor trilogia que já li, a preferida entre todas. Mesmo o terceiro livro tendo muitos altos e baixos, e ser um pesar ter que dizer adeus à trilogia, só agradeço por tê-la conhecido e lido. Uma história que divide opiniões, A Passagem me conquistou logo no início pela grandiosidade épica que estava sendo contada diante de meus olhos. Chegou ao fim mantendo um linha coerente, mesmo que em determinados momentos minhas ideias e pretensões em relação a à história tenham divergido das do autor.

A cidade dos espelhos começa poucos anos depois do segundo livro, após os doze terem sido destruídos. Isso dá uma sensação de segurança e ilusão que o mundo está livre dos virais e faz com que a sociedade passe, aos poucos, a viver fora dos muros. Mas realmente isso é uma ilusão, uma vez que Funning, o Zero, o Pai de todos, ainda vive e prepara sua volta e sua cartada final para dar fim à raça humana. Dando vários saltos de tempo, a história vai mostrando ao leitor como aquela sociedade tem se ajustado ao “novo mundo” em que vivem.

Uma vez baixadas as guardas, Funning começa a por seu plano em ação e, claro, o que se vê a partir daí é aquilo que já estamos acostumados: medo e morte. Boa parte da história se passa em vários anos depois da luta com os doze. Nossos protagonistas, até então jovens, agora são adultos, até idosos. Passam a liderar a sociedade. São os grandes líderes da colônia em Kerville, no Texas, uma das últimas aglomerações de pessoas na América.

O livro pode facilmente ser dividido em duas partes (sem contar numa terceira, mas isso é assunto para mais adiante). A primeira parte, e nisso lá se vai boa metade do dele, é aquela em que o autor Justin Cronin descreve como a sociedade vive, como se arranjou anos depois de momentos turbulentos. A segunda, e aí sim, a melhor, é quando Fanning toma para si o protagonismo da história e reinicia a luta entre humanos e rivais. A primeira é lenta e um pouco tediosa, mas de forma alguma pode ser considerada ruim. Passa, porém, a sensação que é maior do que deveria ser. Um pouco de coragem e empenho, e seria possível cortar algumas partes e condensar outras.

É nesta primeira parte, por exemplo, que descobrimos que Peter Jaxson se tornou o presidente da colônia. É nela também que acompanhamos a luta interna de Alicia lidando com uma nova verdade. Aqui também descobrimos qual foi o destino de Amy depois da luta em Os doze. E conhecemos muitos novos personagens. Mas é, principalmente, quando o autor nos apresenta ao Timothy Fanning, o Zero, que a trama cresce. Por várias páginas, somos levados à verdadeira história daquele que é considerado o iniciador do caos. Será que somos a consequência de nossos erros e pecados? Esta é pergunta que fica depois da passagem de vida de Fanning. A história dele é muito bacana de acompanhar. Mas foram páginas demais para nos fazer simpatizar com o personagem. Tirando isso, que construção incrível de personagem.

CITY OF MIRRORS - cover

Capa original

Já na segunda parte, é basicamente ação. É quando a sociedade se dá conta de que o mal não foi embora. E isso acontece tarde demais. Vários acontecimentos em sequência são narrados por Cronin. Adrenalina e ritmo intenso não faltam para quem reclamou do marasmo nas páginas anteriores. Temos todos aqueles personagens que conhecemos. Sara, Hollis, Micahel, Alicia, Amy. E na reta final, quando chega o momento e dar um destino a todos os personagens, algumas decisões podem surpreender, outras chatear, mas todas, de alguma forma, se mostram coerentes.

Coerente, aliás, é o autor. Apesar de o livro se mostrar instável em alguns momentos, tediosos, como já disse, é bastante claro que Cronin sabia o que estava escrevendo quando iniciou A Passagem. Ele não se aventurou por uma terra desconhecida e simplesmente escreveu o que vinha à cabeça. O planejamento está na nossa cara, não dá para negar. E isso é o que me fascina nele. Isso, claro, aliado à escrita incrível, quase uma obra de arte. E nesta escrita se encaixa também os diálogos, naturais, precisos, reais. Tudo tão real que ele nos confirma isso na nota final, quando conta que estudou com especialistas de várias áreas para desenvolver a história.

Uma nota rápida: achei este, em relação aos anteriores, o mais fraco principalmente em função de clichês. São muitos ao longo das páginas, algo que não notava nos outros volumes. As últimas páginas de A cidade dos espelhos dá um salto de mil anos para mostrar o que aconteceu com o mundo. Ainda confesso que fiquei um pouco incomodado pois acreditava que o “epílogo” presente nele seria basicamente com dados de pesquisa sobre virais e descobertas do passado. Mas ele criou uma nova história, que incomodou um pouco, mas que ao fim surpreendeu o leitor – história que poderia conceber um novo livro, independente do mote original, só narrando as buscas por respostas do passado.

Mas muito mais do que um ótimo entretenimento, sem dúvidas, Justin Cronin, através da trilogia A Passagem, nos deixou grandes aprendizados, grande reflexões e grandes mensagens. Ele sabe, como ninguém, contar uma boa história. História que, ao acabar de ler, me deixou pensativo e até triste por ter de me despedir. Termino agradecendo à Iris, aquela que desafiou Cronin a escrever uma história em que uma menina salvava o mundo. Desafio aceito, desafio cumprido. Obrigado, Justin, obrigado Iris. Até logo!

Notas 4

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