Resenha: “Vocação para o mal”, de Robert Galbraith, publicado pela Rocco

Dois livros em um: J. K. fez uma primeira metade chata e lenta e a segunda, instigante e interessante
Vocação para o Mal - Robert Galbraith - Editora Rocco - J.K. Rowling - pseudônimoInformações Gerais
Título original: Career of evil
Editora: Rocco
ISBN: 9788532530257
Páginas: 496
Ano: 2016
Autor: Robert Galbraith
Nota Skoob: 4,4

O mais macabro livro da série até agora, Vocação para o mal traz uma aventura de Strike e Robin mais madura que as anteriores, mas também mais enrolada e lenta. Como se eu não fosse um leitor “experiente” e não soubesse que criar expectativas gera, na maioria das vezes, a frustração, fui lá e criei a famigerada expectativa e como resultado, nem preciso dizer o que houve. Ler J. K. Rowling/Robert Galbraith é, sim, sempre prazeroso e promessa de bons dias que vão se seguir. Mas talvez pelo grande número de comentários positivos, esperei demais e, claro, terminei com menos.

Desta vez, Strike e Robin não terão um novo cliente como o mote principal. Depois que a fiel assistente recebe uma perna decepada endereçada a ela no escritório, o detetive logo percebe que o foco não é ela e sim ele. Inicia então uma busca para descobrir quem é o responsável pela encomenda inusitada e também por uma série de assassinatos cruéis que virão na sequência. Intercalando com essa investigação, teremos um pouco mais da vida pessoal dos dois personagens principais e uma dose exagerada de “melodrama” com uma pitada de romance.

Sinceramente? Elementos desnecessários quando temos um grande caso nas mãos, que pode tirar o fôlego do leitor, mas que acaba por não acontecer justamente em função desta oscilação de temas ao decorrer das páginas. Esse tinha sido o problema de O chamado do Cuco – os detalhes exagerados na vida dos protagonistas – mas que fora corrigido a tempo em O bicho da seda. Isso não quer dizer que eu seja contra dar espaço ao íntimo e pessoal de Strike e Robin. Mas acredito que isso foi feito de forma errada, deixando a parte inicial da leitura arrastada e prejudicando o clima de suspense do mote principal.

As frequentes idas e vindas da parceria entre os protagonistas, que já se via nos livros passados, se acentua em Vocação para o Mal – boa parte do livro é com eles se afastando por um ou outro motivo que não cabe detalhar aqui, evitando spoilers. A dupla, que outrora dava prazer de ver junta atuando, agora irrita. A personalidade de Robin, antes determinada, cede um pouco do espaço para uma menina de certa forma manhosa e teimosa. Strike, que segue sendo um bom personagem, irrita pelo excesso de zelo e peca ao manter a assistente distante sem nem ao menos discutir as razões disto com ela.

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No grande caso do terceiro volume, que é onde a obra ganha sua relevância e importância, J. K. quase não decepcionou. Mas registro algo que não senti tanto nos livros anteriores mas que vi mais neste: uma certa obviedade. Consegui imaginar – e, consequentemente, acertar – vários fatos que viriam a acontecer conforme alguns fatos eram narrados. Entre estes acertos, consegui acertar quem era o “vilão” da “temporada”.

Mas na escrita e na criação da história, Vocação para o mal nos ganha. Conforme já citei, o livro é o mais maduro de todos. O caso escolhido, apesar de o “cliente” ser o próprio Strike, é muito mais interessante e instigante que os anteriores. E nos faz imergir no universo dele depois da metade do livro – meio tarde, é obvio. A escrita da J. K. é ótima, não tem nem o que contestar. Os diálogos são espertos e naturais – mas, e sempre tem um mas, senti falta um pouco daquela característica forte dela que víamos em Harry Potter e, com isso, aqui ela ficou um pouco mais comum, igual aos demais.

O arco final, as últimas 50 páginas foram de tirar o fôlego, com um ritmo ótimo, muito diferente do início. O clima para desvendar o mistério aumentou e nos fez querer saber mesmo como seria o desfecho e as explicações que motivaram tais atitudes. Talvez não seja exagero dizer que se J. K. – que disse ter sido este o melhor livro “adulto” que ela escreveu – tivesse suprimido algumas páginas e crises de personalidade, o livro teria obtido seu êxito total. A história, de forma geral, mereceria quatro estrelas – até porque, como disse, é mais interessante que os anteriores. Mas os problemas iniciais citados acima não me permitem dar uma outra nota, se não três estrelas.

Notas 3

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