Resenha: “O nome do vento”, de Patrick Rothfuss, publicado pela Arqueiro

Um livro que apenas pecou pelo excesso de páginas
downloadInformações Gerais
Título original: The Wise Man’s Fear
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580410327
Páginas: 960
Ano: 2011
Autor: Patrick Rothfuss
Nota Skoob: 4,8

O risco de um livro que passa do número “habitual” de páginas – lógico que não existe padrão, mas mais de 400 pode oferecer algum “perigo” – é sempre aquele: cair na redundância e deixar o leitor entediado. Um livro que chega perto das mil páginas sofre mais ainda: tem o risco de se perder ao longo das páginas. O Temor do Sábio, segundo volume de A crônica do matador do rei, de Patrick Rothfuss, se encaixa na segunda categoria, mas conseguiu sofrer dos problemas apenas da primeira delas. Isso é bom se analisado a partir de um ponto de vista mais pessimista. Mas não é tão bom assim, também.

Dando sequência ao relato de vida, Kvothe narra para o Cronista e para os leitores como foram os dias seguintes na Universidade e as consequências dos problemas em que ele se meteu no primeiro volume da série (ou trilogia, who knows?). Já terminamos o primeiro livro sabendo que ele não ficará lá por muito tempo. Portanto, nas 960 páginas temos Kvothe tanto na Universidade e fora dela, aprendendo com a vida e crescendo como pessoa. Mas não sem deixar de se meter em enrascadas. Essa é a premissa básica, sem avançar em spoiler, o que estragaria a experiência de leitura.

Fiquei muito feliz em saber que o personagem principal iria sair da Universidade, pois quase mil páginas no mesmo lugar tornariam a história bastante monótona. Bem, não foi exatamente isso que aconteceu. Embora a mobilidade de Kvothe por outras terras durante o período deem um novo fôlego à história, há alguns momentos bastante tediosos. Tanto que me vi obrigado a dar uma pausa na leitura por alguns dias para voltar recuperado. Gosto da parte em que ele ainda está na Universidade. Me vi entusiasmado e numa leitura frenética quando ele viaja para Vintas, onde sua sorte tem uma leve melhora. Depois disso, alguns atos são desencadeados, sendo parte deles bastante chatos e um pouco arrastados.

É preciso reconhecer que o autor é muito coerente com sua proposta e se mantem na linha que propõe desde o início. Isso é um ponto. Mas não vejo real necessidade no livro ter mais de 900 páginas. Sim, a história poderia ter sido facilmente contada com 300 a menos. Ela passa por alguns momentos redundantes, em que demos voltas e parece não sairmos do lugar. Patrick detalha exageradamente algumas passagens, o que acaba prejudicando a experiência de leitura.

Na proposta de construção de um mito, é impossível eu não comparar este livro com outro: Ciclo das trevas, que tem uma premissa parecida. No entanto, considero que Peter V. Brett, autor do segundo, conseguiu lograr êxito com mais facilidade. Não gosto de comparar histórias. Mas me vi obrigado uma vez que ambas nos oferecem construções parecidas. E talvez pelo poder de “condensação”, fui totalmente fisgado e conquisto pelo Ciclo das Trevas.

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Capa original

Mas O Temor do Sábio não é ruim, longe disso. Eu gosto da história pra caramba. Curto livros que nos mostram a construção de personagens como é o caso desta série do Patrick. O problema é apenas no desenvolvimento. Mas personagens, construção da história, base do universo paralelo… a proposta em geral, disso não podemos reclamar. É fascinante conhecer os Quatro Cantos. A escrita é toda trabalhada e muito bem cuidada. Patrick conhece das palavras e as usa muito bem. É muito, muito, muito legal acompanhar como Kvothe se torna uma lenda naquele universo. Não é nada forçado, é bastante natural.

No livro, prefiro a parte do relato à do Marco do Percurso. Acho chata e monótona desde o primeiro livro. Dá sono quando há os interlúdios. Mas a parte final de O Temor do Sábio, quando voltamos ao “tempo atual”, há uns acontecimentos interessantes e misteriosos que me deixaram bastante curioso pelo próximo volume, que, até onde sei, não tem previsão para ser lançado. Quanto ao resto, não há reclamação ou objeção. Patrick é um grande escritor, sabe o que faz e tem uma boa visão de cena para nos fazer sentir no local descrito – aliás, que série de TV incrível daria essa história.

Pelo grande número de páginas já não ganharia cinco estrelas. Das quatro caiu pra três quando percebi o quão monótono o livro ficou nas cerca de 200 a 300 páginas centrais. Portanto, três estrelas por uma questão de mais de severidade no momento de dar a avaliação final. Mas fica aqui a recomendação para você que gosta de uma boa história… e até que o próximo vem, vamos de A música do silêncio, um conto sobre uma das melhores personagens da série: Auri.

Notas 3

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