Resenha: “Golem e o Gênio”, de Helene Wecker, publicado pela DarkSide Books

Mesmo não virando um favorito, este é um livro que veio para marcar
capa_golem_e_o_genioInformações Gerais
Título original: The golem and the jinni
Editora: DarkSide Books
ISBN: 9788566636482
Páginas: 514
Ano: 2015
Autor: Helene Wecker
Nota Skoob: 4,5

Quando a DarkSide Books anunciou o lançamento de Golem e o Gênio, vi muita gente comemorando e parabenizando a editora por trazer a história ao Brasil. Eu não conhecia o livro, mas só esse auê todo já me despertou interesse. A capa foi um segundo item que colaborou para que o livro fosse colocado na minha meta em 2016. Não conhecia muito da história, mas sabia se tratar de uma fantasia. Agora, depois de ter lido, tenho a certeza de que, apesar de ressalvas, ela é singular, leve e muito forte.

Golem e o Gênio narra a improvável união de dois seres totalmente diferentes colocados em um lugar muito longe do habitat natural deles. A história se passa em Nova York, entre os anos de 1899 e 1900. A magia não é uma realidade dos cidadãos, mas a chegada da golem e do gênio vai mexer, sem dúvida com a sociedade. Narrando a história de cada um separadamente, o livro cresce quando ambos se encontram e se tornam improváveis parceiros, até que um determinado fato os separa, e outro ainda pior os une novamente.

A autora Helene Wecker não cria aqui um livro com batalhas épicas ou grandes lutas com seres fantásticos como conhecemos em outras obras de fantasia. Esse é o principal diferencial do livro, que toca mais no ser do que no fazer. É uma história profunda sobre nós mesmo, mas relata na vida destes dois seres mágicos. E talvez seja justamente por conta disso que o livro tenha conquistado tanta gente e se tornado um dos mais aclamados do gênero.

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A autora Helene Wecker

Com bons personagens e uma construção detalhada e ricamente pensada, Golem e Gênio é sem dúvida uma obra que marca. No entanto, há alguns fatores que prejudicaram a boa aceitação que tive em relação a ele. Pra começar, cito o início do livro. Lento e chato. A história é legal, te cativa logo, você fica curioso com a mitologia construída. Mas pouca coisa acontece, você se sente perdido, e isso acaba nos levando a crer que ele é chato. E não me refiro ao ritmo de leitura, que é bastante fluído.

Antes de partir para os elogios, preciso dizer, apesar de o livro melhorar e deixar ser tão lento conforme a história avança, o fim dele se mostrou um pouco clichê. Criei mil teorias em relação ao que aconteceria, mas a mais obvia e simples foi a escolhida pela autora. Queria um pouco mais de ousadia, coisa que faltou ao longo de toda a obra. E apesar de praticamente não deixar pontas soltas no fim, me fazendo quase acreditar que seria um volume único, a autora conseguiu criar uma certa expectativa para o próximo volume – que só será lançado em 2018 lá fora, sob o título de The Iron Season.

“Mas, Luan, você disse que gostou e só vi críticas!” Então, vamos lá. Acho que, além da escrita, o principal destaque é aquilo que já citei: a construção. Rica em detalhes, a autora estreante, sem dúvida, pensou em tudo antes de escrever e evitar deixar furos, como vemos em tantos livros de autores já “consagrados”. Por ser, de fato, uma obra de estreia, impressiona a forma com que ela conduziu a história, muitas vezes sem cair no caminho mais fácil ou óbvio – exceto o final, como já disse. Ela sabia exatamente onde queria ir com a história e a gente percebe conforme lemos.

Ela nos guia, com sua narração, de uma forma única. A gente pode até demorar um pouco a entrar na história, mas quando isso acontece, é quase algo mágico mesmo. Acompanhar a rotina da Golem, um ser criado a partir do barro, e do Djim/Gênio, ser feito de fogo, e a forma com que eles precisam lidar vivendo em uma sociedade que não faz parte da vida deles, se torna parte do nosso dia. São dois ótimos protagonistas, tirando o fato da rabugice da Golem, que às vezes nos tira do sério.

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Capa original

Os demais personagens também são muito bem construídos. Alguns deles, assim como alguns acontecimentos, podem até parecer perdidos e desnecessário ali no meio, mas em algum momento eles farão sentido. Posso citar o caso da Sophia, personagem que não parece acrescentar muito à história, mas que no final teve sua importância – e até acredito que ela volte nos próximos volumes. Por falar em final, se ao longo dos livros, em mais ou menos 400 páginas, a história não foi tão ágil como estamos acostumados, nas últimas cem páginas faltou fôlego ao leitor, porque todas as pontas e situações criadas pela autora tiveram seu desfecho, com revelações e embates entre vilão – sim, temos um vilão, mesmo eu não tendo falado nele – que elevaram o livro a um nível ainda maior. Não foi nada forçado, tudo aconteceu como tinha de ser.

Espero que a continuação, que ainda está longe de chegar, continue tão boa e a escrita da autora, que já é ótima, só venha a evoluir. Embora o livro não tenha se tornado um favorito, mesmo eu tendo gostado muito dele, Golem e o Gênio já entra pro rol das melhores leituras recentes e, sem dúvida, uma das melhores no gênero de fantasia. Porque é, sim, possível fazer um livro de fantasia ser sensível, profundo, forte e diferente. Quatro estrelas para a obra.

Notas 4

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