Resenha: “Silo”, de Hugh Howey, publicado pela Intrínseca

Desfecho de uma das minhas trilogias preferidas, Legado poderia ter mais ousadia
LegadoInformações Gerais
Título original: Dust
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580579413
Páginas: 368
Ano: 2016
Autor: Hugh Howey
Nota Skoob: 4,3

Muitos autores, e o leitor mais atento percebe de longe, que escrevem trilogias ou séries, muitas vezes começam a história e não fazem ideia de onde querem chegar. Ou seja, mal sabem como terminar este livro. Ainda bem, este não é o caso de Hugh Howey, que terminou a trilogia Silo com Legado, o desfecho aguardo da história que cativou leitores americanos após uma autopublicação em ebook e que, devido ao sucesso, ganhou as prateleiras mundo a fora. Não foi o desfecho que eu esperava, parecendo corrido na maior parte do tempo, mas foi um bom encerramento, bastante coerente com o restante da obra.

Em Legado, as histórias de Silo e Ordem se juntam. Além de muitas verdades que começam a ser reveladas, temos uma luta incessante pela vida. De um lado, no Silo 18, do outro lado, no 1. Em ambos, um único desejo entre os principais personagens da história: desfazer todo o mal criado por “aqueles homens de antes”. A vida de Donald, se passando pelo senador Thurman, e da irmã dele, Charlotte, passa a ser cheia de emoção vivendo no limite de serem descobertos. Na outra ponta, Juliette segue na busca pela verdade e ainda precisa lidar com a função como prefeita de uma população desconfiada e ressabiada de suas intenções.

De forma geral, o livro me agradou. Mas alguns problemas recorrentes me incomodaram ao longo do livro. Especialmente dois: faltou profundidade nas tramas sensacionais que – NOVAMENTE – Hugh criou, e faltou mais calma para desenvolvê-las. Ficou parecendo que ele estava com pressa para terminar. Não posso crer que essa pressa possa ser confundida com vontade de dar ritmo à leitura, uma vez que sendo terceiro livro, o desfecho, o grand finale, de uma trilogia, o leitor já está acostumado à história e já não é preciso acostumá-lo à narrativa e ao universo. Quem tá lendo já foi conquistado e quer mais daquilo que foi apresentado. E definitivamente, essa correria toda é totalmente incoerente.

Apesar de toda a criação do autor ter um plano de fundo muito forte, profundo e bem criado, e além disso, todas as situações por ele criadas ao longo dos três livros serem muito coesas, corretas, passarem verdade, neste último, diferente dos outros dois, ele criava as cenas, chegava aos ápices, mas mudava o foco, o rumo, a intenção logo em seguida. As promessas que ele criou deixaram o livro muito mais interessante do que aquela decisões que ele tomou. Tento explicar sem spoiler e sucintamente: Juliette diz “Vou fazer a coisa X para destruir quem nos colocou aqui”, mas logo em seguida não faz e outra nova situação é criada, sendo que a anterior prometia algo muito maior e mais interessante.

dust

Capa original

O livro teria condições de ter muitas páginas a mais, mesmo tirando partes desnecessárias, como foram os capítulos para Elise, a menina do Silo 17, que ganhou um destaque desnecessário. Tirando estes capítulos e acrescentando mais profundidade e situações mais “extremas” às cenas escritas, o livro ficaria ainda melhor. Mas não quero que você que lê essa resenha agora ache que o livro é de todo ruim. Muito pelo contrário, apesar disso tudo que já falei, ainda mantenho Silo como uma de minhas trilogias preferidas. Hugh é um autor muito coerente e tem uma escrita que se destaca. Além dos diálogos naturais e ricos de verdade, o autor consegue convencer que aquilo que você está lendo é real.

Do primeiro ao terceiro livro, é bastante interessante a forma como ele mantém o foco da história. As revelações que vão sendo feitas vão dando ainda mais veracidade à obra. Não dá pra duvidar que ele pensou direitinho quando construiu a trilogia. Ele pensou nos mínimos detalhes, de onde começar, onde passar e onde acabar. Do que revelar e quando revelar ao leitor. É esse cuidado minucioso que faz dele um grande autor e, desta, uma grande obra, que levarei para sempre, não só pelo prazer da leitura, mas especialmente pela mensagem que o autor quis passar.

O fim da trilogia deixou uma série de hipóteses em aberto que renderiam muitos livros a mais – apesar de algumas explicações confusas, algumas situações exageradas, decisões arriscadas e mortes dolorosas, gostei pra caramba do desfecho. E eu não duvido de que isso vá acontecer, especialmente pela mensagem deixada pelo autor nas últimas páginas. E digo mais: se uma nova trilogia deste universo for escrito, acredito que a protagonista será Elise, daí o grande destaque neste livro. Para o terceiro livro, não consigo dar mais que quatro estrelas, mas para a história toda, Hugh merece cinco e ainda ser favoritado. Agora fico esperando a adaptação da trilogia pro cinema – isso seria grandiosos – e os novos livros dele.

Notas 4

 

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