Resenha: “Coração de aço”, de Brandon Sanderson, publicado pela Alpeh

Sob uma ótima premissa, Coração de aço é um livro que deixa a sensação de que poderia ter ido além
coracao-de-acoInformações Gerais
Título original: Stellheart
Editora: Aleph
ISBN: 9788576573500
Páginas: 392
Ano: 2016
Autor: Brandon Sanderson
Nota Skoob: 4,6

Não são todos os autores que possuem uma qualidade pontual para escrever um livro em primeira pessoa. Este tipo de escrita, aliás, gera algumas polêmicas entre os leitores. Os que gostam, os que não gostam. Eu sou indiferente, normalmente não me sinto incomodado. Mas isso quando o autor tem o timing para esta narrativa. Qualquer excesso ou falta já prejudica a obra. E isso aconteceu em Coração de Ação, de Brandon Sanderson, um livro bom, mas que decepcionou em alguns quesitos. Isso tudo tendo em vista que não li com grandes expectativas.

Na história, muitas pessoas passaram a ter poderes mágicos depois de um episódio fatídico, chamado Calamidade. Esses dons, no entanto, não fizeram deles heróis, como estamos acostumados. Essas pessoas agora são vilões e dominam e governam as cidades. Eles são os Épicos. Os que não adquiriram poderes ou morrem nas mãos deles ou vivem escondidos, nas sombras da cidade, muitas vezes subordinados aos Épicos. No entanto, nem todos são assim. Um deles é David, que viu seu pai morrer pelas mãos de Coração de Aço, aquele que comanda Nova Chicago. Ele quer se vingar e para isso buscará uma aliança com os Executores, conhecidos como únicos capazes e com coragem suficiente de matar os Épicos.

Uma baita ideia. Que na ponta do lápis ficou devendo. Alvo das melhores críticas recentes, o livro é elogiadíssimo pela maioria dos leitores. Mas, infelizmente, não consegui me incluir neste grupo. Listo o primeiro fato: a narrativa em primeira pessoa. Ela é perigosa. O autor pode transformar o protagonista num personagem dos mais chatos. E foi isso que ele fez. David é chato. Não do tipo que chega a irritar, mas incomoda. Principalmente pois ele é daquele tipo que consegue resolver tudo, é até mais inteligente do que os próprios Executores, que, teoricamente, seriam os “bam bam bam” da história. Sanderson pecou em escolher a primeira pessoa pois tornou o protagonista arrogante e sem empatia – para mim.

brandon-sanderson-header

O autor Brandon Sanderson

Os diálogos da história também ficaram devendo. Eu acredito que aqui o problema foi principalmente com a tradução. Traduzir sempre pode gerar seus ônus. As conversas não soam naturais. David tem 18 anos, mas parece ter menos. Os outros personagens parecem ser mecânicos. Os diálogos são bastante burocráticos. Sem contar com os clichês, que são vários. Clichês nem sempre incomodam, mas quando em excesso ou mal colocados atrapalham. O protagonista se apaixona pela bela moça à primeira vista, que, por sua vez, o maltrata. E ao longo das páginas eles acabam virando dupla nas cenas de ação. Nada de novo sob o céu. Só para citar um exemplo.

Por falar nisso, alguns acontecimentos são bem óbvios. Consegui prever algumas cenas conforme a história se desenrolava. Lógico que não foram todos, alguns fatos até chegaram a surpreender, mas nada que causasse a sensação plena de surpresa. O livro é basicamente de ação. Os Executores tentando – na maioria das vezes, sem sucesso – destruir épicos. Esperava uma maior construção de mundo. A descrição daquele universo é bem feita pelo autor, mas queria ver mais profundidade na história da sociedade e não na busca por vingança e a morte de Épicos. A sinopse tanto descreve que não se sabe como isso iniciou, mas David possui um dossiê cheio de informações sobre os vilões. Ia achar muito mais interessante se o livro trouxesse essa aventura na busca por informações e respostas do que simplesmente dar fim aos poderoso.

steelheart-cover

Uma das capas originais

Mas o livro não é de todo ruim. Primeiro de tudo, a leitura é muito ágil, o ritmo é excelente e a forma com que Sanderson escreve é divertida e simples. Os personagens são bem construídos e houve cuidado em dar uma personalidade marcante para cada um. Os ápices das cenas de ação também prendem muito a atenção dos leitores. São os momentos em que o livro chega ao auge. Mas senti, de forma geral, falta de mais revelações ao longo do livro, de reviravoltas – isso só acontece no fim, e algumas coisas eu já tinha previsto, sem surpresa.

Apesar de ser um livro com várias ressalvas, eu curti, pois, acima de tudo, é uma espécie de distopia diferente de muitas, e que tem uma construção de mundo que promete várias possibilidades para os próximos livros. Distopia e pessoas com super poderes foi o que mais me chamou atenção na sinopse e acredito que isso ainda vai dar em coisa muito boa ao longo do livro. Só fico com o desejo de que os problemas observados sejam resolvidos nos volumes seguintes. Além disso, não vi problemas de revisão e o trabalho da Aleph é digno de elogios. Capa muito bonita, páginas internas bem cuidadas e a diagramação é tranquila e facilita a leitura, mesmo com uma letra até pequena. As três estrelas que estou dando não devem ser vistas como uma avaliação ruim, mas sim que o livro poderia ser melhor em alguns aspectos, apesar de ser um interessante.

Notas 3

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