Resenha: “Cidade dos Etéreos”, de Ransom Riggs, publicado pela Intrínseca

Um grande filler, Cidade dos Etéreos sem mantém simpático, mas se torna chato
etéreosInformações Gerais
Título original: Hollow city
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580578904
Páginas: 384
Ano: 2016
Autor: K. K. Ransom Riggs
Nota Skoob: 4,3

A clara mensagem de lutar contra tudo e contra todos para alcançar os seus objetivos até poderia ter êxito em Cidade dos Etéreos, não fosse o desfecho. Deu aquela sensação de nadar e nadar, mas morrer na praia. A continuação de O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares continua divertido quanto o primeiro, mas mais chato e sem acontecimentos relevantes. Acho que um erro no desenvolvimento comprometeu toda uma história que tinha tudo para se tornar ainda mais cativante e marcante.

Falar da sinopse é até um pouco complicado, pois parece que não há uma história central. Depois da destruição da Fenda onde os peculiares viviam com a Srta. Peregrine, e agora com ela presa no corpo de uma ave, a única opção para eles é sair dali e tentar salvar a protetora. No entanto, nem eles sabem direito para onde ir, deixando assim uma sensação ao leitor de que o autor estava um pouco perdido. O objetivo, segundo a sinopse oficial, é chegar até Londres, único lugar em que seria possível salvar Peregrine. Mas na prática, eles só vão onde o vento levar.

Os peculiares passam mais da metade do livro se movimentando sem ter um norte, conhecendo novos personagens, novos lugares, mas sem uma trama forte central, senão aquela de ajudar a protetora. Nada parecido com o primeiro livro, que tinha uma história muito bem construída para contar. A sensação que me deu, conforme eu ia lendo, era de um grande filler – para quem não sabe, termo que se refere a enrolação, algo que não vai agregar à história principal. Realmente senti falta de fatos mais decisivos, uma aventura mais real. Tudo parecia muito fácil e bastante clichê.

A parte boa do livro, além do início, foi o fim. As últimas 50 páginas, talvez, elevaram o nível do livro. Mas foi muito pouco para o que a história tinha a oferecer e, por isso, pareceu corrida, para encerrar logo o livro. Ou seja, até a parte boa saiu ruim neste livro. Sem dúvida alguma, acredito que o autor teria muito mais êxito neste segundo volume da série se enxugasse a primeira parte e esticasse a segunda. Teríamos uma aventura mais interessante para acompanhar e mais revelações para nos surpreender. Em resumo, teríamos história e não enrolação.

hollowcity

Capa original

Mas é preciso ressaltar que no meio desta enrolação, em que o autor nos leva a visitar vários e vários lugares, que nem os peculiares conheciam, somos apresentados a novos personagens. A maioria deles, muito rapidamente, mas alguns chegam para ficar. E agradam. Quanto ao personagens que já conhecemos do primeiro volume, a construção deles permanece a mesma. Digo, não houve equívoco do autor em manter aquela linha de raciocínio para determinado personagem. E como a continuação começa exatamente de onde parou o primeiro, não temos logo de cara um amadurecimento dos peculiares. Mas vemos isso ao longo das páginas.

Além disso, é preciso destacar que, apesar de se equivocar no desenvolvimento, o aturo permanece acertando na escrita. É rápida, bem feita e flui bastante. Mesmo o livro parecendo um grande filler, a leitura não é chata justamente porque a história criada por Riggs é, por si só, muito cativante e divertida. É um livro com uma história simples, mas com vários significados e mensagens nas entrelinhas. Devo destacar também o excelente trabalho gráfico da Intrínseca, que caprichou demais na edição em capa dura, que traz consigo até uma jacket. Por ser de editoras diferentes, o segundo livro até consegue manter um padrão muito interessante em relação ao primeiro. Mas está, sem dúvida, muito mais cuidado e bonito. Vários detalhes internos chamam a atenção.

Bem, para terminar, como disse, a reta final do livro eleva o nível e realmente deixa aquele gosto de quero mais, quero a continuação pra já. Biblioteca de Almas é o volume final da trilogia e promete ser tão grandioso e interessante quanto o primeiro, bem diferente deste segundo. Quero ler quanto antes. Nota três para Cidade dos Etéreos – que, no início, acreditei ser uma espécia de cidade habitada por etéreos onde o personagens iriam parar, ledo engano.

Notas 3

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