Editores deixam Companhia das Letras para abrir nova casa

Uma nova editora literária vem por aí. Os editores Flávio Moura e André Conti anunciaram, na tarde desta terça-feira (24), que estão deixando seu posto na Companhia das Letras para abrir uma nova casa. Como sócios, fazem parte Leandro Sarmatz, que já havia deixado a casa ano passado, Marcelo Levy, ex-diretor comercial da empresa, e a agente literária Ana Paula Hisayama, que deixa a Agência Riff.

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Eles ainda não revelam o nome da nova editora nem o autores que pretendem lançar, mas afirmam que há um grupo de investidores envolvido no projeto.

“Não será uma Companhia das Letras, obviamente, mas também não será uma pequena editora independente. É uma casa para concorrer com as editoras literárias”, afirma Conti, ressaltando que está fazendo “uma transição alegre” na saída da Companhia.

Em nota, o presidente do Grupo Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, diz ter recebido a saída de Moura e Conti com um “misto de tristeza e alegria”, destacando também o trabalho que Hisayama, Levy e Sarmatz tiveram na empresa.

“Uma das principais tarefas do publisher é a de ajudar a formar editores e profissionais do livro. Ao ver os jovens editores que agora nos deixam ter a coragem de iniciar um empreendimento editorial no Brasil, fico orgulhoso e esperançoso. Torço para que os anos de aprendizado na Companhia das Letras sejam úteis para a nova editora e desejo a ela muito sucesso”, disse Schwarcz.

Desde que a multinacional Penguin comprou 45% de participação na Companhia das Letras, em 2011, editores historicamente ligados à empresa têm deixado a casa. Além de Moura e Conti, já haviam saído, nos últimos anos, nomes como Marta Garcia e Maria Emília Bender.

Questionado, Conti diz que a saída não tem a ver com as mudanças na editora desde que passou a fazer parte de um grupo internacional.

“Não tem a ver. Claro que, quando essas mudanças foram ocorrendo, todo funcionário fica apreensivo. Mas o selo Companhia das Letras é muito protegido, é a menina dos olhos. Achamos que tinha um espaço [para uma editora literária], pintou um grupo de investidores que embarcou no projeto. Se não fosse isso… Minha vida é a Companhia”, diz o editor.

Ele acrescenta ainda que não está levando autores nem funcionários da antiga casa consigo. “Não é uma saída hostil nem agressiva. De que adiantaria eu pegar autores que a Companhia criou e me escorar no sucesso deles?”, afirma.

Via Folha de S. Paulo

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