Resenha: “Grito”, de Godofredo de Oliveira Neto

Fala pessoal! Tudo bem? Hoje trazemos para vocês a resenha de Grito, obra do autor catarinense Godofredo de Oliveira Neto, publicada pela editora Record. Confira! 

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Construído de forma que a performance e a teatralidade ocupem um lugar central, Grito é o epílogo da octogenária Eugênia e sua relação com o jovem e ambicioso Fausto. Em 21 atos, a narrativa é marcada pelo embate entre as esferas do real e do imaginário. Godofredo de Oliveira Neto experimenta formatos e problematiza a linguagem, conduzindo a partir da perspectiva da ex-atriz de teatro uma trama que transita entre o mundo da criação e da encenação.

De uma leitura rápida e interessante, Godofredo transforma as páginas de Grito em um palco de acontecimentos cotidianos, emotivos e dramáticos. Dividida em atos, a obra expões um espetáculo teatral, onde, através de uma linguagem expressiva exposta por Godofredo, coloca espetáculo dentro de espetáculo.

Narrado pela octogenária Eugênia, ficamos frente a frente com um enredo extremamente bem trabalhado e ao mesmo tempo direto e simples. Durante o decorrer da história, somos postos no “mundinho” de Eugênia, onde conhecemos seu convívio e um pouco da teatralidade de sua vida, tanto como vivência, como profissão.

Em contrapartida, também conhecemos Fausto, amigo e também pupilo de Eugênia. Pode-se dizer que Grito se estrutura unicamente na relação desses dois personagens e seus impulsos pela arte de interpretar. São personagens que vestem o drama e a atuação, coisa que Godofredo consegue expor de forma bastante nítida.

Em meio a acontecimentos corriqueiros, vemos as histórias se transformarem em peça. E a teatralidade adquirida pela narração de Eugênia, junto com os enlaces de cada acontecimento, transmutam em algo um tanto cômico que torna a leitura bastante interessante.

Durante o decorrer das páginas, há uma dúvida sobre quem é, de fato, o ouvinte da história e isso deixa uma leve interrogação durante a leitura, se estamos de frente a um diálogo entre a narradora e algum ouvinte ou se são simplesmente divagações frutos de uma solidão fora da realidade.

Grito, é um exemplo do que temos de melhor na literatura nacional, Godofredo consegue dar cor aos ambientes e acontecimentos, através de personagens vivos e desenlaces teatrais.

Está é uma obra com interpretações dentro de interpretações, enquanto Eugênia tenta manter sua vivacidade entre as atuações constantes com seu amigo e protegido Fausto, encontramos neles uma relação um tanto sublime e não correspondida pela parte de Fausto, vemos a octogenária tentando manter em suas mãos o que lhe resta de vida, através de ilusões e atuações no cômodo de um apartamento.

Com um certo dinamismo, durante a leitura, o leitor deve ficar atento para as mudanças que a história apresenta, onde não só temos uma mudança de atos, mas uma verdadeira mudança de palcos que o autor conseguiu criar.

Como dito, é uma leitura rápida e interessante, que fará você se prender nas encenações cotidianas de dois personagens que literalmente vivem o drama.

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Informações Gerais:
Editora: Record
ISBN:  9788501107015
Páginas: 160
Ano: 2016
AutorGodofredo de Oliveira Neto

😉

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