Resenha: “Six of Crows”, de Leigh Bardugo, publicado pela Gutenberg

Quando um livro consegue passar verdade, ele já me conquista em 50%, e Six of Crows conseguiu isso
1367-20160616094740Informações Gerais
Título original: Six of Crows
Editora: Gutenberg
ISBN: 9788582353820
Páginas: 376
Ano: 2016
Autor: Leigh Bardugo
Nota Skoob: 4,7

Foi começando meio assim e de repente eu estava torcendo para que um grupo de bandidos/ladrões se desse bem. De cara, essa foi minha experiência com Six of Crows, de Leigh Bardugo. Apesar de divertido e bem escrito, o livro, no entanto, não me cativou como deveria ser. A história é legal, não além disso, mas o que talvez tenha prejudicado minha experiência foi o fato de que essa história teve uma estratégia errada: para atingir um público infantojuvenil, a autora e sua equipe optaram em protagonistas com idade em torno dos 16 anos. Não estragou o conjunto da obra, mas com certeza deixou de ter um desenvolvimento melhor.

Six of Crows conta a história de Kaz Bekker e mais cinco ladrões que, juntos, acabam contratados para realizar um crime quase impossível de ter êxito. Todos eles são bandidos. São experiências em roubar e isso não causa preocupação alguma a eles. São frios e calculistas, criminosos em sua essência. Mas a aventura por que estão prestes a passar vai mudar a relação entre eles e terá grandes consequências. O livro, aliás, narra o mesmo universo da série Grisha, história anterior escrita por Leigh, e conta com personagens fortes, a maioria ladrões com 16 anos.

E foi justamente este o principal problema para mim. Soou um pouco artificial ou forçado. Fica clara a intenção de que a autora e sua equipe quiseram garantir uma boa saída em vendas. Atingir um público dentro de uma zona de conforto. No entanto, essa decisão prejudicou a história. Não que tenha ficado ruim ou inverossímil. A escrita de Leigh conseguiu dar uma veracidade interessante à história. Mas eu senti, ao fim da história, que teria me sentindo mais imerso à aventura caso os protagonistas fossem mais velhos, o que daria ainda mais verdade ao livro.

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E por falar em verdade, este é, ao lado da escrita, o maior acerto do livro, por assim dizer. Gosto de livros que convençam. Mesmo que seja ficção, eu preciso acreditar no que eu estou lendo ou terei jogado tempo fora. E isso definitivamente aconteceu em Six of Crows. Isso se deve, claro, à belíssima construção de universo feita pela autora, que começou lá na série anterior, que eu não li, mas que certamente foi só evoluindo e se aprimorando até chegar aqui. Enquanto eu lia, por mais que sabia ser uma ficção e se passar num universo de fantasia, eu acreditava em cada palavra porque as coisas não eram postas para impressionar o leitor e sim para somar e contar uma boa história.

Falando um pouco da escrita e dos personagens, também é preciso destacar que são dois pontos que dão ainda mais qualidade ao livro. Não conheço a autora de antes desse livro, mas dizem que ela evoluiu assustadoramente. Analisando a partir de uma primeira leitura, posso afirmar que ela está entre as melhores escritas que já li. Pode até não ser meu texto preferido, mas é da melhor qualidade, cada palavra pensada, cada diálogo cuidado ao extremo para soar natural e preciso. Não é uma escrita fácil, mas é prazerosa. Assim como também os personagens, em especial os seis protagonistas criminosos pelos quais nos vemos torcendo no meio do livro. Você passa a conhecer cada um deles e, mesmo não concordando com o que fazem, consegue torcer por eles pelo carisma e pela boa construção que a autora empregou a eles.

sixofcrows

O ritmo de leitura não é o melhor. Às vezes é até lento. Isso não se deve ao fato de que cada capítulo é narrado pela perspectiva de um personagem diferente. Mas sim pelo “detalhismo” empregado. Aliás, um parêntese: achei desnecessário essa opção de narração. Mesmo que em perspectivas diferentes, por ser narrado em terceira pessoa, a autora não conseguiu dar um motivo forte para que víssemos a perspectiva de determinado personagem. Começava bem mas no fim era como se qualquer um estivesse contado, faltava personalidade. Pra citar mais um fator que não me agradou tanto: o livro é repleto de ação e aventura, mas carece de mistérios, revelações ou viradas. Poucas vezes acontece isso e a maioria é no fim. Poderia ter usado mais deste recurso.

Tirando o fato de que em alguns momentos da leitura fiquei com a sensação de que a história não ia a lugar algum e de não ter me cativado tanto, como disse lá no início, consegui gostar da história, imergir nela e quero continuar acompanhando a série, já que o final, um pouco clichê, deixa uma série de perguntas a serem respondidas e você quer mesmo as respostas. Dona de uma escrita envolvente e forte, Leigh conquistou e se revelou uma das grandes nesta série, que merece ser lida pela ousadia em mudar como vimos protagonistas e apostar numa ficção/fantasia diferenciada. Quatro estrelas (tá certo que com um esforço grande).

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