Resenha: “Os doze”, de Justin Cronin, publicado pela Arqueiro

Os Doze: na continuação de A Passagem, Justin seguegenial
coverInformações Gerais
Título original: The twelve
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580411065
Páginas: 592
Ano: 2013
Autor: Justin Cronin
Nota Skoob: 4,4

A curiosidade e a expectativa para ler Os doze, a sequência de A passagem, eram grandes. Depois de toda aquela verdadeira saga quase épica de Peter, Amy e seus amigos desbravando o mundo fora dos muros e descobrindo que há como acabar com os virais, o segundo livro da trilogia traz novamente a mesma estrutura conhecida no primeiro volume.

No primeiro momento, a história foca no mundo de antes, em como foi que a humanidade lidou com o ataque dos virais. Se em A passagem, a gente não tinha muita de ideia do cenário de destruição e guerra causada pela pesquisa que saiu do controle, agora a gente tem a real noção de como foram os ataques. Neles, descobrimos novos personagens, novas histórias, que se entrelaçam com velhos conhecidos. Essa primeira parte de Os Doze tem total ligação com o desenrolar dos acontecimentos deste segundo livro.

Então, temos o salto para 97 anos depois, ou cinco a mais do que conhecíamos em A passagem. Agora, nessa passagem de cinco anos, vemos Peter como um oficial dos Expedicionários. E ficamos, também, sabendo do destino de cada um daqueles personagens incríveis e tão bem construídos que nos familiarizamos.

No entanto, cada um dos personagens está em um lugar diferente, o destino os separou. Principalmente depois de, como foi visto no fim do livro anterior, a Colônia estar completamente desabitada. No que toca a Peter, ele conseguiu convencer em partes o exército de que é possível matar os virais e, assim, matar todos os que foram infectados por eles. Pelos Doze.

E a partir daí, uma nova aventura inicia. Onde as vidas dos protagonistas voltam a se esbarrar para um fim verdadeiramente épico. Mas antes de chegar lá, tem muita história. E de fato, não é possível me alongar na sinopse da história, uma vez que qualquer deslize, um spoiler será dado.

De forma bem resumida, a história do segundo volume é essa: enquanto Peter e os demais seguem a luta para conseguir destruir os virais, algo muito maior está acontecendo – diretamente ligado aos virais, ligado também ao mundo de antes. Eles vão se deparar com uma nova cidade, habitada por mais de 70 mil pessoas. E um único objetivo. Este é o mote principal.

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Capa original

Novamente, o destaque da história vai para a construção do roteiro e para a escrita de Justin Gênio Cronin. Ele é fantástico. Não li todos os autores do mundo, mas posso apostar que ele é um dos raros escritores que tem o dom das palavras e de saber contar histórias. Eu realmente estou mais fascinado ainda pela forma que ele consegue construir o roteiro e desenvolver sua narrativa. É hipnotizante. Ele é demais.

No entanto, o velho problema está de volta. Posso até estar sendo chato, mas sim, livros muito grandes sofrem disso: enrolação. Em alguns momentos, Justin se apega demais aos detalhes e divaga por linhas e linhas de algo que poderia ser resumido pela metade.

E em Os doze, isso está mais latente, uma vez que existem novos personagens, e os velhos, que já conhecemos, estão separados, de modo que é necessário caminhar por várias tramas. Ou seja, a cada novo capítulo, somos levados para um novo local, e a gente acaba se perdendo em um momento e outro. Por isso eu digo: alguns detalhes deveriam ser mais resumidos sim, e ponto.

Mas isso, de forma alguma, estraga o brilhantismo da história. E quando pensamos que não poderia haver nada de novo, eis que Justin nos surpreende. Cada acontecimento nos pega desprevenido e… WTF? Ele deve ter uma mente borbulhante mesmo, pra conseguir encaixar tantas histórias diferentes numa única e ainda assim não se perder, e ainda assim ser coerente com a mesma história que ele iniciou – sim, afinal muito do que ele criou para esse segundo livro poderia ter sido uma nova história original, para um novo livro dele.

Uma última percepção: quem já leu, sabe do grande “negócio” que acontece na segunda fase do livro. E isso me deixou um pouco ressabiado. Fiquei com medo do caminho que ele estava enveredando. Foi arriscado, já que mudou um pouco o foco do que esperávamos. Mas no fim, não decepcionou. Algumas dúvidas pairaram pela minha cabeça, mas não é preciso expor por aqui… só dizer: leiam logo o segundo livro da série. Vale a pena. Até porque, é Justin Cronin, afinal.

E por fim, claro, a nota: se para A passagem eu dei cinco estrelas, para Os doze, dou quatro. Achei ele um pouco inferior ao primeiro, mas ainda assim um livro único e estupendo e nota cinco em relação a vários outros que li.

Notas 4

“Ali estavam todos eles, juntos de novo, os destinos atraídos como se por uma poderosa força gravitacional, como se fossem personagens numa história já escrita; só precisavam representar a trama.” (pg. 523)

 

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