Resenha: “Fábrica de Vespas”, de Iain Banks

Fala pessoal! Tudo bem? Hoje trago aqui no blog a resenha sobre Fábrica de Vespas, romance de estreia de Iain Banks, publicado no Brasil pela DarkSide Books. Confira!

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Frank, um garoto de 16 anos bastante incomum, vive com seu pai em um vilarejo afastado, em uma ilha escocesa. A vida deles, para dizer o mínimo, não é nada convencional. A mãe de Frank os abandonou anos atrás; Eric, seu irmão mais velho, está confinado em um hospital psiquiátrico; e seu pai é um excêntrico sem tamanho. Para aliviar suas angústias e frustrações, Frank começa a praticar estranhos atos de violência, criando bizarros rituais diários onde encontra algum alívio e consolo. Suas únicas tentativas de contato com o mundo exterior são Jamie, seu amigo anão, com quem bebe no pub local, e os animais que persegue ao redor da ilha.

Abandonado à própria sorte para observar a natureza e inventar sua própria teologia – a maneira do Robinson Crusoé de Daniel Defoe –, Frank desconhece a escola e o serviço social, já que seu pai acredita na educação “natural”, recomendada pelo filósofo do século XVIII Jean-Jacques Rousseau. Quando descobre que Eric fugiu do hospital, Frank tem que preparar o terreno para o inevitável retorno de seu irmão, um acontecimento que implode os mistérios do passado e vai mudar a vida de Frank por completo.

Fazia certo tempo que eu não lia algo tão direto e um tanto pesado. Em Fábrica de Vespas, conseguimos nos encontrar em meio a uma narrativa desconfortável e diria que até brilhante.

Esse é o livro de estreia de Iain Banks (embora seja um autor de ficção científica sem  sucesso, mas com um notável trabalho ao investir em Fábrica de Vespas, um  romance poderoso e original, se tornando um dos grandes romancistas do século passado).

Embora de uma qualidade inquestionável, a obra foi trazida para o Brasil deixando alguns fatores a desejar. Não questiono a qualidade da impressão em si, como design, diagramação, etc, que sempre saem perfeitos (estamos falando da DarkSide), mas em termos de tradução, digo que por pouco não saiu horrível. É extremamente nítida a crueza que a tradução carrega, tornando a estruturação textual e gramatical para o português, bastante precária, o que me desanimou bastante nas primeiras páginas.

Porém, congratulemos Banks, apesar de um explorador principiante em enredos do estilo de Fábrica (percebemos visivelmente pela sua escrita e a forma como da enfoque e transcorre a narração), conseguiu equilibrar narrativa, enredo e acontecimentos, produzindo algo bastante forte, minimizando o deslize da editora.

Com personagens um tanto singulares, temos um bastante definido do outro, e assim o autor nos leva a explorar de forma bastante devagar o sombrio lado de cada um.

Com uma narrativa em primeira pessoa, Banks proporciona uma leitura gradual e nos encaminha junto ao  personagem principal, Frank, revelando seu passado assassino, sua permanente infantilidade e convivência em meio a um ambiente desestruturado.

Desde o começo, o autor não nos poupa de desconfortos e cria um ambiente aparentemente afastado do resto do mundo, onde Frank e seu pai moram,  isolados em meio a suas estranhezas, deixando a leitura mais sombria e instigante.

A medida que a história vai transcorrendo, vamos descobrindo mais sobre Frank, seus distúrbios, seus assassinatos (os quais cometia desde os sete anos de idade) e também sobre a loucura de seu irmão, mas  ao final de cada descoberta, Banks nos faz interrogar outras coisas mais que ainda permanecem incógnitas para o leitor.

Digamos que precisamos ter certo estômago para ler Fábrica de Vespas. A narrativa é forte e temos personagens sem equilíbrio racional e emocional algum, logo somos postos de frente com sua ações e assim são descritas no livro as cenas de como Frank matou seus  dois primos e seu irmão mais novo, além de detalhar a tortura que pratica com animais (para manter seu poder), seus rituais cheios de excrementos e palavras estranhas, e também o modo como seu irmão mais velho (que um dia foi “normal”), passou a enlouquecer, comer cachorros, os queimar e torturar, além de esfregar minhocas nas crianças da cidade e tentar fazê-las comer.

Do começo ao fim somos postos a uma certa prova do quanto aguentamos ler, para saber o final. Mas já digo, o livro não traz tudo o que citei acima em todas as páginas, mas sim ao decorrer do enredo, conforme Frank vai narrando sua vida, logo não é difícil manter a leitura, mas sim desconcertante e instigante.

Banks consegue manter por toda a obra, tudo em segredo e isso faz com que não deduzamos o final, e sim, descubramos tudo aos poucos.

A leitura fica realmente “empolgante”, quando Eric (irmão mais velho de Frank), depois de fugir do hospital psiquiátrico está quase chegando na casa de seu pai e irmão, fazendo o autor colocar uma forte tensão na leitura e levando (no final) os acontecimentos para rumos bastante surpreendentes e nos fazendo descobrir coisas, juntamente com Frank, o qual parece começar a se questionar e  adquirir uma completa normalidade mental depois das suas descobertas próprias (que nem ele desconfiava), e que de acordo com ele, explicam sua psicopatia.

Fábrica de Vespas é um romance original, desconfortavelmente perturbador, que nos faz questionar durante todo o livro, de onde vem tanta loucura, mas, que de uma forma calorosa, nos incita a enfrentar e conhecer Frank em sua psicopatia, seu pai em sua repulsa isolada, e seu irmão, um louco comedor de cães, que em minha opinião, sem nada de especial, serviu apenas de pano de fundo durante a história toda.

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Informações Gerais:
Editora: DarkSide Books
ISBN:  9788594540065
Páginas: 240
Ano: 2016
Autor: Iain Banks

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