Resenha: “A garota no trem”, de Paula Hawkins, publicado pela Record

Maior fenômeno literário dos últimos meses, A garota no trem não é melhor que outros romances policiais que já li
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Título original: The girl on the train
Editora: Record
ISBN: 9788501104656
Páginas: 378
Ano: 2015
Autor: Paula Hawkins
Nota Skoob: 4,6

A Garota no Trem é um dos principais sucessos literários – se não o principal – dos últimos tempos. Vendeu muitos exemplares mundo a fora como há muito tempo não se via em um curto período de tempo – foram quase cinco milhões de exemplares e a tradução para 44 línguas. Seus direitos foram comprados pela Dreamworks – e o filme já está nos cinemas. No Reino Unido, ficou na lista dos mais vendidos por cerca de 30 semanas, derrubando o recorde de Dan Brown com O símbolo perdido. Tudo isso já é um baita marketing e faz com que mais leitores queiram ler esse fenômeno do thriller psicológico. Mas não. A sinopse também nos instiga.

Da janela de um trem, Rachel admira, diariamente, a vida de um casal, cujo acredita ser perfeita e ideal. No entanto, tudo muda quando ela presencia uma cena que a surpreende. Em seguida, um crime envolvendo o casal ganha a mídia de Londres. E ela se sente na obrigação de informar as autoridades sobre o que viu na ânsia de ajudar a desvendar o mistério que envolve os dois. No entanto, ela acaba se envolvendo mais do que deveria e um grande suspense toma conta das páginas deste romance de Paula Hawkins. Para piorar, perto desta casa, mora o ex-marido de Rachel, Tom, com sua nova esposa e a filha.

Romances policiais estão entre meus livros preferidos, que leio fácil, sem precisar de uma sinopse mirabolante ou ser sucesso, tal como foi A garota no trem. Não seria diferente com este. A história convence, é agradável de se ler, mas não traz nada de novo ao gênero. O diferencial da história de Paula fica para a protagonista – um tanto complexa e irritante em função da fragilidade -, que é alcoólatra e frustrada desde que se separou do marido. Ampliando esta complexidade, se soma o fato de que ela perdeu o emprego e ainda vive na casa de uma amiga que não sabe da demissão. Mas ela consegue ver uma luz no fim do túnel para sua vida quando se envolve no crime da casa número 15, que ela vê todo dia do trem.

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A autora Paula Hawkins

Consegui ver um pouco do estilo de Harlan Coben nas páginas de A garota no trem, mas isso não quer dizer que a autora não tenha identidade. Pelo contrário. Ela mostrou sim personalidade e um estilo próprio. Mas a comparação acaba sendo inevitável – mas não me alongarei em comparar ambos. A obra se inicia focando nos problemas de Rachel e nas histórias de outros casais – o que ela vê do trem e o do ex-marido. Você se frustra um pouco com isso no início. As páginas vão passando e você não vê nada daquilo que era prometido, mas sim uma bla bla blá romântico e chato sobre vida conjugal e casos mal resolvidos.

Mas assim que a história principal, o grande mistério da obra, acontece, o livro dá uma guinada e a leitura ganha um ritmo intenso. Mesmo que o caso policial não seja uma grande novidade, você vai se imergindo àquele mundo e passa a querer saber o que aconteceu e qual será o envolvimento dos personagens criados por Paula. Ela ainda usou o recurso da amnésia, o que ajudou a história a ter um fôlego a mais. Não fosse isso, o livro certamente perderia muito. É um recurso obvio, mas bem empregado. Aliás, por falar em obvio, o livro tem vários clichês, mas que não prejudicam o andamento da história – especialmente na sua reta final, com o desvendar dos mistérios, e aqui eu esperava mais viradas e surpresas do que teve.

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Capa americana

Não vi, porém, aquela obra marcante e surpreendente que foi tão comentada até agora. É uma boa história, como vários outros suspenses – tantos com menor sucesso, inclusive. Livro este que peca, entre alguns detalhes, na separação dos capítulos. Além de Rachel, Anna e Megan narram a história e você não consegue identificar tão facilmente a personalidade delas. A forma de narrar é muito parecida. Sobre a diagramação, está ok. Um trabalho bem feito, com revisão que apresentou poucos erros ortográficos.

Em suma, foi uma boa leitura, mas nem de longe ficou entre as melhores que fiz nos últimos meses. O que não quer dizer que ficou entre as piores, claro. Apenas acredito que foi superestimada. Mas a escrita da autora merece elogios, ela acaba sendo um dos destaques em uma história mais do mesmo, ao lado da leitura frenética da metade para o fim, quando fica difícil desgrudar do livro. Merece quatro estrelas – ahh, e só acho que deveria ser “mulher” no lugar “garota”, uma vez que a protagonista tem seus 30 anos rs…

Notas 4

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