Resenha: “Ciclo das trevas – O protegido”, de Peter V Brett, publicado pela DarkSide Books

Uma história incrivelmente viciante, que fala, acima de tudo, de medo e coragem
o_protegidoInformações Gerais
Título original: The Warded Man (Demon Cycle)
Editora: DarkSide Books
ISBN: 9788566636499
Páginas: 514
Ano: 2015
Autor: Peter V. Brett
Nota Skoob: 4,6

De pronto, já posso afirmar: acredito que esta leitura tenha sido uma das “melhores da vida”. Tinha certa expectativa para ler Ciclo das Trevas – O protegido, mas confesso que elas foram superadas e surpreendidas. Não era nada do que eu esperava e ao mesmo tempo tudo que eu precisava como leitor. Termino o livro uma enorme satisfação e a sensação de que demorei demais para conhecer essa história. Mais que uma fantasia épica, com demônios do melhor estilo, e mais do que a construção de um mito, o livro narra a saga do medo e do que ele pode fazer com a gente.

Em uma terra distante da nossa, em uma época diferente da nossa, existe Thesa, uma terra habitada por vários povos. Grandes cidades, algumas comunidades… algo que nos remonta ao período medieval. O único porém é que eles precisam conviver com os terraítas – ou simplesmente, demônios (que são formado de vários elementos, como fogo, ar, rocha, areia e madeira). Toda noite, eles surgem das profundas para se alimentarem de carne humana. Até que o sol não surja, eles se guiam através do cheiro até o banquete. Ao longo dos séculos a magia tem sido a única forma de a população se proteger. As proteções, sinais mágicos desenhados em superfícies como madeira, funcionam como um escudo e não permitem que os demônios ultrapassem o espaço marcado.

É neste cenário que vamos conhecer os três protagonistas desta história: Arlen, Leesha e Rojer. Ao longo das páginas, vamos acompanhar a vida destas três crianças que não se conhecem mas guardam um desejo em comum: dar fim ao sofrimento de todos. Cada um por um motivo, tem seu futuro drasticamente mudado e se veem sendo aprendizes de pessoas sábias e importantes. O que vai fazer com que eles três, diferente de todos os demais habitantes desta terra, enfrentem o maior dos males: o medo. Depois de superá-lo, encarar os terraítas não será a tarefa mais difícil. No passado, apenas o Salvador foi capaz de combater as feras. E no futuro, que vamos conhecer, será o misterioso Protegido que terá essa função.

Essa premissa já é mais do que eu sabia sobre o livro e resumo bastante a construção detalhada da história destes três personagens. E acho que foi exatamente isso que mais me fisgou na leitura: a forma com que a história foi construída e desenvolvida. Desta forma, é impossível não comparar Ciclo das Trevas com O nome do Vento, de Patrick Rothfuss. As duas narrativas e a forma de escrita são muito parecidas. Gostei muito do livro de Rothfuss, mas a construção fantástica de Peter V. Brett me conquistou de verdade. Ele souber usar melhor as ferramentas e não enrolou ou detalhou sem necessidade como o outro. Mas as comparações param por aí.

Peter V. Brett

Autor Peter V. Brett

Quero mesmo é elogiar essa história que se tornou uma de minhas preferidas para sempre. Embora tendo um início lento, o primeiro volume de uma série de cinco livros conquista logo. O desenvolvimento dos fatos – que não é narrado com uma agilidade de livros contemporâneos, mas com vários acontecimentos – chama a atenção logo de cara. O roteiro disso é muito bem cuidado e você vai sendo hipnotizado como uma coisa vai levando à outra. Vários anos serão narrados ao longo das páginas. Creio que somos levados por quase duas décadas de história. A descrição dos cenários e dos próprios demônios também é feita de forma ímpar. Praticamente perfeita.

Chama a atenção também o cuidado na construção de cada personagem, por mais que ele vá aparecer apenas por algumas páginas. Eles se tornam palpáveis e reais. E o que dizer dos protagonistas? A gente vai conhecendo os três aos poucos sem saber qual a importância que eles terão ao decorrer da história. Mas são personagens marcantes e de grande carisma. Arlen, conhecemos com 11 verões, já Leesha se apresenta com 13 e, por fim, Rojer, o mais jovem, cerca de três verões – mas todos vivendo na mesma época. E por mais que cada um viva em uma lugar diferente, o destino fará com que eles se cruzem – muitos anos depois – para protagonizarem um final épico. E partir daí construírem uma grande relação – mas acho que, assim como a maioria, Arlen acaba sendo o preferido, até por dominar maior parte da história.

Outro fator que merece destaque é a ousadia do autor: ele aborda vários temas, de religião a sexo, sem maiores pudores. Nos deparamos com assuntos atuais como incesto, estupro, alem do próprio medo, tão onipresente em todas as páginas. Alguns problemas, claro, foram percebidos ao longo da leitura – nada é perfeito nesse mundo. Como já disse, o início é lento, desmotiva um pouco. Mas se você insistir, vai logo ser fisgado. Passado um pouco da metade, a história dá uma caída no ritmo, mas logo recupera. Alguns capítulos acabam sendo longos e deixando, em poucos momentos, a leitura um pouco arrastada. Mas nada que atrapalhe.

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Uma das edições americanas

Já falando sobre a edição, o que falar da DarkSide Books, que mal conheço e considero pakas? Trabalho perfeito. Capa dura linda, com textura quase aveludada. Fita de marcar página vem junto. As primeiras páginas vem todas decoradas com as “marcas” usadas como proteção. O início de cada capítulo tem uma arte especial muito bacana, as letras têm tamanho agradável e cada fase do livro também passa por um tratamento gráfico diferenciado. O único porém mesmo é a revisão. Muuuitos erros de digitação. Fazia tempo que não lia um livro com tantos probleminhas na escrita. Mas a história incrível quase nos faz esquecer disso.

Por fim, me faltam palavras para dizer o quanto fui conquistado pela história e espero que a qualidade apresentada neste volume não caia nos próximos quatro. Aqui no Brasil, a editora já publicou o segundo – A lança do deserto. Lá fora, Peter V. Brett já lança o quinto e último volume. Os direitos também já foram comprados para série ou filme – e sim, vai ficar incrivelmente fod* ver isso adaptado. Até porque, como disse o criador da série Resident Evil, na contra-capa, Ciclo das Trevas é “a fantasia épica mais significativa e cinematográfica desde O senhor dos anéis. Inspiradora, obrigatória e totalmente viciante”.

Nota máxima e favoritado para toda a vida. CORRAM PRA LER AGORA!!! VAMOS CONVERSAR SOBRE ELE!

Notas 5

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