Após notícia da destruição dos livros, Cosac Naify explica situação

Causou indignação a notícia veiculada nesta quinta (22), no “Publishnews“, site de notícias do mercado editorial, de que a Cosac Naify vai destruir seus livros em estoque que não forem vendidos até o fim do ano.

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Dione Oliveira, diretor financeiro da editora, porém, diz que essa é “só uma” das possibilidades em vista –e acredita que, até dezembro, o estoque da casa será “mínimo”, por conta da parceria com a Amazon, que vende os livros da Cosac com exclusividade.

Ele não diz quantos livros sobraram desde que a editora fundada por Charles Cosac anunciou o fim de suas atividades, no fim do ano passado. A reportagem apurou, porém, que o estoque está na casa das centenas de milhares.

“[Destruir] é só um dos cenários possíveis. Os autores podem comprar os livros que quiserem [com descontos previstos em contrato] ou posso fazer uma liquidação”, diz Oliveira, ressaltando que não está nos planos vender os livros que sobrarem para distribuidoras que realizam saldões.

“Não vai chegar a zero, mas é provável que sobrem poucos livros. Temos a blackfriday e o Natal pela frente.”

Se os exemplares finais chegarem a saldões, seria um problema para as editoras que planejam publicar títulos que foram da Cosac Naify. Se isso acontecesse, os exemplares poderiam ficar por muito tempo no mercado sendo vendidos a preços irrisórios.

Se a escolha for a liquidação dos exemplares, há contratos no meio editorial prevendo que, no período final de sua vigência, não é preciso repassar o pagamento a autores se uma obra for vendida abaixo de custo.

A destruição de encalhes, vale dizer, é causa de embaraço, e editores não costumam falar sobre o assunto com frequência –mas é prática comum no mercado.

A transformação do encalhe em aparas de papel é causada pelos altos custos de estocagem, aliados à dificuldade de promover a doação de grandes quantidade de exemplares. Nenhuma biblioteca tem interesse em receber cem cópias de um mesmo título.

Também há a questão dos custos envolvidos em uma doação tão grande como seria a do encalhe da Cosac Naify. Uma possibilidade seria uma instituição comprar o estoque e cuidar ela própria da doação.

Outra, seria dar os livros aos autores. Mas isso não resolveria o problema dos livros estrangeiros.

“Não fui eu quem inventou isso [a destruição do estoque], é uma prática do mercado. E os livros estão disponíveis na Amazon com preços acessíveis para quem quiser comprá-los até lá”, afirma Oliveira.

Via Folha de S. Paulo

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