Resenha: “Battle Royale”, de Koushun Takami, publicado pela Globo Livros

Sangue e dor palpáveis: isso é Battle Royale
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Título original: Battle Royale
Editora: DarkSide Books
ISBN: 9788525056122
Páginas: 664
Ano: 2014
Autor: Koushun Takami
Nota Skoob: 4,6

Bem, se você é um fã “voraz” de Jogos Vorazes e idolatra a autora Suzanne Collins, meu conselho é que passe longe deste livro. Não é segredo para ninguém que as histórias são parecidas. E certamente esse é o maior chamariz para os leitores consumirem Battle Royale. Mas o problema está nas coincidências. Desculpa, não há como não dizer que a criadora de Panem tenha copiado – ou, usando eufemismo, se inspirado – a história japonesa. Um lembra demais o outro.

Num Japão distópico, o país agora se chama República da Grande Asia Oriental, se isola do restante do mundo e tem um governo totalitário que elabora, ano após ano, jogos violentos para mostrar à população que confiar no outro é a pior escolha. Todo ano, uma turma de nono ano das escolas do país é escolhida para protagonizar a sanguinária disputa. São jovens de 15 anos que terão suas vidas mudadas para sempre. E neste jogo há apenas um vencedor.

No momento em que o livro se passa, a turma escolhida é o nono ano B da Escola de Ensino Fundamental Shiroiwa da província de Kagawa. Os 42 alunos estão se encaminhando para uma excursão, mas eles não chegarão até lá. No meio do caminho, eles adormecem e quando acordam estão numa ilha da província. E tem início mais uma edição do Programa – como eles chamam o jogo.

Não dá pra se dizer que a história tem de fato protagonistas, embora Shuya Nanahara e Noriko Nakagawa (além de Shogo Kawada, um dos melhores personagens, ao lado de Shinji Mimura) tenham mais destaque que os demais. Mas o fato é que todos os alunos tem importância na história. Cada morte que acontece na obra é descrita com todos os detalhes necessários e o personagem acaba tendo destaque. Por falar em morte, todas elas são narradas mínimos detalhes com requintes de crueldade. Realmente dói ao ler, a gente sente o sangue escorrendo pelas páginas. Koushun Takami, o autor da história, não nos poupa e vai muito além de qualquer outro escritor em detalhar a carnificina entre alunos de 15 anos – e então vários sentimentos são vivenciados pelos estudantes: amor, ódio, medo, ternura, vingança, dor.

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A escrita dele é muito boa, fazendo assim que a leitura flua muito bem. Os diálogos não fogem da realidade. Por isso percebemos que estamos lidando com adolescentes. Eu até tinha algum medo por se tratar de um escritor japonês, mas isso foi superado ao longo das primeiras páginas já. A história é muito bem construída e desenvolvida, bem como os personagens. Os 42 alunos e os outros personagens tem personalidade e profundidade. No entanto, em determinado momento me incomodei com o fato de haver muita ação sem um pouco de história no plano de fundo. Mas logo isso passou, porque a história foi tomando cada vez mais forma e a curiosidade para saber como tudo terminaria ia aumentando.

O fim, embora um pouco clichê – o que aconteceu eu imaginei -, é feito de uma forma um pouco diferenciada para que seja tão obvio assim. Somos surpreendidos em vários momentos na reta final. Koushun realmente brinca com a nossa cara. E quando a última palavra é lida, bem aquela sensação: poxa, quero, preciso, necessito de continuação. Uma pena ela não ter vindo. O livro, no entanto, virou filme e aí sim teve continuidade. A segunda parte mostra alguns poucos pontos que ficaram soltos – mas pelas informações que li, o segundo filme foi alvo de várias críticas.

Merece um parágrafo à parte a diagramação da Globo Livros, que tardiamente trouxe a obra para o país – deixo o espaço para agradecer por ter trazido, pelo menos. A capa é muito bonita e tem relevos que representam os quadrantes proibidos ao longo do jogo na ilha. A parte interna também é bastante cuidada e as páginas são de alta gramatura. Letra e espaçamento favorecem a leitura, assim como a tradução e a revisão.

Não posso terminar a resenha antes de comentar sobre Jogos Vorazes. Todo mundo conhece a história em que dois representantes de cada distrito de Panem são escolhidos para participar dos Jogos. Como o livro de Suzanne teve mais sucesso, logo vieram as acusações da história japonesa. No entanto, Koushun escreveu seus jogos sanguinários ainda em 1999. Ok, tudo bem. Suzanne disse que não conhecia a obra quando começou a escrever sobre Katniss. O autor japonês disse que não iria processar ninguém.

Mas ao ler Battle Royale, fica impossível defender Collins. Sério, são muitas referências e coincidências – que, obviamente, não vou citar para não estragar a experiência de leitura, mas há até um tordo no jogo japonês. Não acredito que duas pessoas iriam pensar em tanta coisa semelhante na criação de uma história. Depois que terminei a leitura, como fã de Jogos Vorazes, fiquei um pouco chateado com a criadora da história. Me senti, sinceramente, ludibriado. Há quem defenda que são muitas os pontos diferentes. Mas é claro, meus bons!!! Ela precisava mudar alguma coisa, ou o plágio estaria ainda mais na cara. Porém, o principal tá ali. Não há como negar.

Por fim, quero dizer que gostei demais do livro. O autor foi corajoso e audacioso. Ele escreveu uma história que, no fundo, também é uma crítica à sociedade, ao mesmo tempo que nos diverte. Ele aborda vários assuntos do cotidiano com seus personagens. E ainda criou um filão a ser seguido anos depois por tantos escritores no mundo – e não falo só da Suzanne, mas Koushun também serviu de inspiração para mangás, filmes e outros livros. Ele, sem dúvida, é um visionário e ficou marcado pela obra. Espero, de verdade, que mais pessoas conheçam a história e sintam o sangue escorrendo pelas páginas. Nota cinco e favorito para sempre hahaha!

Notas 5

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