Resenha: “The kiss of deception”, de Mary E. Pearson, publicado pela DarkSide Books

Se me permitirem o trocadilho, basicamente uma “deception”, mas tem sim seus méritos
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Título original: The kiss of the deception
Editora: DarkSide Books
ISBN: 9788566636864
Páginas: 406
Ano: 2016
Autor: Mary E. Pearson
Nota Skoob: 4,5

Acho que neste ano, poucos livros fizeram tanto barulho ao serem lançados como foi com The kiss of deception, da DarkSide Books. Sucesso de público e crítica lá fora, o livro logo se tornou queridinho também em terras tupiniquins. Eu não me enquadrava neste grupo que queria ler a história. Comprei ele por impulso numa promoção e acabei lendo. Concluí algumas coisas: foi superestimado, mas não é ruim, só que poderia ser melhor. Deu pra entender? É aquela velha história: ideia bastante interessante, desenvolvimento nem tanto.

The kiss of the deception se passa num universo fantástico, onde reinos estão em guerra. Para evitar mais disputas, dois deles, Morrighan e Dalbrek, acertam o casamento entre os filhos dos reis. A princesa morrighana (???), de nome muito grande, mas abreviado por Lia, no entanto, rebelde que só, não aceita e por isso, logo no início do livro, decide fugir das terras para poder viver livre, leve e solta. Só que, como toda boa história, há um porém. Ao fugir, é claro que ela desperta sentimentos. Em especial dois. Primeiro, do príncipe de Dalbreck, seu pretendente, e depois, de um assassino de um terceiro reino, de nome Venda. Eles dois partem, separadamente, é obvio, em busca de Lia, e a aventura começa. A graça da história é que nós, leitores, não sabemos, ao longo das páginas, até pouco depois da metade, quem é o assassino e quem é o príncipe entre os dois personagens narrados.

E a graça também para por aí. Mesmo eu não tendo expectativa alguma para a história, fiquei um pouco frustrado por perceber, conforme a leitura avançava, que se tratava apenas de um romance – meio meloso, até. Cerca de 70% da história é um triângulo amoroso envolvendo Lia e seus dois misteriosos seguidores – só que, claro, ela não sabe quem são eles. Os outros 30 se dividem entre narrativas desnecessárias, um pouco de aventura, e uma rasa descrição daquele universo. Faltou muito equilíbrio por parte da autora Mary E. Pearson ao escrever a história. Ok, é claro que ela quis escrever uma história romântica, mais do que uma aventura ou uma fantasia plena.

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Mary E. Pearson

Vamos por partes, tentar explicar aquilo que funcionou e não funcionou para mim na história. Primeiro que a construção de alguns personagens ficou a desejar. Tirando os três protagonistas, e a “Berdi” – personagem de relevante peso para o desenvolvimento de Lia, pós fuga -, os demais são rasos. A bem da verdade, trata-se de uma história com poucos personagens e que se foca em 80% do tempo em Lia e os outros dois protagonistas. Por este motivo, acaba não havendo o ritmo ideal. Mas esse é um assunto para depois. Apesar de Lia parecer mimada e querer dar uma de rebelde sem causa, ela é uma boa protagonista, que ao longo das páginas, quando não se trata do casinho de amor mal resolvido, vai crescendo e amadurecendo. Ponto positivo à Mary no que tange o empoderamento da mulher.

Ainda falando da personalidade de Lia, irrita a forma com que ela decide fugir. É muito repentino, soa meio forçado e ilógico. Pior: ela foge com uma amiga, sua criada, Pauline, com dois cavalos e alguns outros itens. Mas ela consegue sobreviver a vários dias de viagem, sendo que existe um exército do seu reino a sua procura. Seria até aceitável não fosse o fato de o príncipe e o assassino a encontrarem facilmente, melhor que o exército de vários homens. Além disso, pelo que pude entender, a fuga dela foi para uma cidadela que ainda pertence a Morrighan, não tão longe do reino, para aqueles padrões. Se quer fugir, porque não vai pra longe de uma vez?

Mas ainda entre estes problemas, está o ritmo e a fluidez da leitura, como disse acima. O livro não é lento, mas os acontecimentos são quase nulos – uma trama bastante monótona. E o foco em poucos personagens, aliado ao fato de os demais serem rasos, torna a leitura um tanto que entediante, mas não lenta. E olha que a escrita da escritora é boa. Ele constrói bons diálogos e a narrativa dela é detalhada, conseguindo construir um cenário bem interessante para quem lê. Ela, no entanto, nos apresenta uma história rasa, que não aprofunda na história dos reinos e das guerras entre si. O “dom” não desenvolvido de Lia e um possível mistério que envolve seu passado também não acontecem, apesar de a autora querer fazer acontecer. Falta alguma coisa. Talvez o equilíbrio que falei acima.

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Capa original

Depois da metade para o fim a história da uma guinada quando a porção aventura aparece. Sem dar spoiler, a história passa a se movimentar e só então temos a real sensação de que se trata de uma fantasia, onde há elementos importantes e imprescindíveis para este gênero literário. Não que a história fique muito melhor, mas a melhora é notável. E se o livro todo fosse assim desde o início, a experiência teria sido muito melhor. Acharia muito mais interessante se essa fuga de Lia fosse constante no livro – e também seria mais plausível – do que ela ficando apenas em uma cidadela não tão distante. Daria um caráter de mais aventura e veracidade à história, e envolveria muito mais o leitor.

Ao fim dele, não consegui definir por qual protagonista masculino torcer, como tantos leitores têm feito. Pra mim, tanto faz. Mas simpatizo, pela construção, mais com um do que com o outro. Mary teve sim êxito em segurar o mistério de quem era quem até a revelação. Por diversas vezes troquei meu “chute”. Ainda não decidi se vou prosseguir na história. Vários clichês me fazem prever um futuro não muito diferente daquele apresentado no primeiro livro da trilogia, e isso não é nada animador. Mas, se de conteúdo, muita coisa não me agradou, o mesmo não posso dizer da estética. A DarkSide Books é mesmo fod*. Que livro lindo. Toda a arte muito bem cuidada. No entanto, isso não foi suficiente para fazer a nota subir. Apenas três estrelas!

Notas 3

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