Novidade em ‘O Diário da Princesa’: uma irmã negra

A multidão de súditas da série O diário da Princesa, sequência de onze livros da americana Meg Cabot publicados entre 2000 e 2015 e lidos avidamente por meninas no mundo todo, teve uma surpresa este ano: descobriu que Mia Thermopolis não é a única herdeira do trono de Genóvia, o país fictício onde se passa a história que já vendeu 700 000 exemplares no país e também foi sucesso no cinema em 2001 e 2004, com Anne Hathaway e Julie Andrews no elenco. Em resumo (atenção – spoiler): Mia tem uma meia-irmã, a princesa Olivia, que para espanto dos genovianos (segundo os livros, Genóvia fica na Europa, entre a Espanha e a França), tem sangue africano e cabelo enroladinho.

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Previsto para chegar ao Brasil este mês, o Diário de Uma Princesa Improvável (Editora Record) tem a intenção de rechear a historinha juvenil com temas delicados como racismo e diversidade de arranjos familiares. Nesta entrevista ao site de VEJA, Meg Cabot, criadora das duas princesas, fala sobre as inspirações e os planos para a casa real preferida das adolescentes.

Em quinze anos, é a primeira vez que sua série ganha uma nova personagem principal. Como isso aconteceu? Embora o pai da princesa Mia esteja morto nos filmes, nos livros ele continua vivo. Mia era filha única porque ele teve câncer, fez quimioterapia e em teoria não poderia ter mais filhos. Mas, certo dia, um amigo meu com a mesma doença descobriu que seria pai. Foi aí que tive o estalo: é bem provável que existe algum outro bebê real por aí do qual o príncipe Phillip nem saiba…

Como decidiu que a nova princesa seria negra? Aí eu me inspirei na história do príncipe Albert de Mônaco, que teve um filho fora do casamento com uma mulher negra. O caso veio à tona quando a criança já tinha três anos, ela não entrou para a linha de sucessão e, claramente, a família se envergonha do menino. Pensei comigo que uma história dessas seria perfeita para Genóvia. Estávamos mesmo precisando de mais cores. Decidi escrever sobre uma criança negra, que chega inesperadamente na família. Mas lá, ao contrário, ela é acolhida e vira herdeira também. Mônaco precisa se atualizar.

Os fãs de Diário da Princesa hoje são jovens adultos. Sua linguagem se adaptou para esse público? Não, a princesa Olivia foi criada para meu público original, pré-adolescente. O livro tem pequenas ilustrações e não há nenhum beijo. A história é contada no ponto de vista de Olívia, que tem 12 anos.

Deve virar filme? Sim, há muito interesse. Pode ser inclusive que se torne uma série de TV. Mas antes deve estrear o terceiro O Diário da Princesa, ainda sobre Mia. A série da Olívia é um plano para o futuro.

Que outros personagens a senhora acha que estão faltando nas histórias de princesa? Precisamos de figuras que representem as famílias modernas, as pessoas que vemos e conhecemos. Seria fantástico ter uma protagonista acima do peso, por exemplo. As princesas são sempre tão magrelas, não sei nem como param em pé. Os arranjos familiares também estão mudando. Estou tentando tornar as histórias mais realistas. Eu mesma sou de família multirracial. Tenho um irmão negro, adotado e gay, que cresceu sem referências de personagens para se inspirar, por exemplo.

Podemos esperar um príncipe gay no futuro? Por que não? Quem sabe, em algum próximo livro.

E uma princesa nascida no Brasil? Ótima ideia, principalmente porque eu teria que ir de novo ao seu país para pesquisar – e tomar caipirinha. Já posso até ver a princesa brasileira. Ela seria descolada, viveria na Bahia e saberia jogar capoeira.

Publicado por Veja.com

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