Bienal do Livro de SP encerra com vendas e público abaixo do esperado

Após dez dias, a Bienal do Livro de SP viu os estandes das editoras ficarem menores e as vendas não atingirem às metas. Pelo menos, essa foi a sensação dos expositores.

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O público do evento que terminou neste domingo (4) também encolheu: de 720 mil em 2014, para 684 mil nesta edição, segundo a CBL (Câmara Brasileira do Livro). A impressão geral é que a Bienal de 2016 foi menor e vendeu menos livros, se comparada aos números das últimas edições. Nenhum dos expositores e livreiros disse ter ultrapassado o volume de negócios em relação a 2014.

“A venda de varejo foi menor que a da última edição. Mas a venda de atacado, principalmente para livrarias, foi maior –o que acabou equilibrando as contas. Se, por um lado, fomos atrapalhados pela crise, por outro fomos salvos pelo empresário que resolveu voltar a investir”, disse Breno Lerner, da editora Melhoramentos.

Segundo Sergio Eduardo, da Zahar, a editora ficou longe da meta de vendas. “Esperava mais”, falou. Para os editores, entre os fatores que podem ter influenciado os números está o aumento do preço da entrada. Na última edição, o tíquete custava de R$ 12 a R$ 14. Neste ano, os preços foram de R$ 20 a R$ 25 –um aumento de mais de 65% na entrada mais barata.

Soma-se a isso o fato de o estacionamento custar R$ 40 e a alimentação dificilmente sair por menos de R$ 25. Assim, um casal acompanhado de um filho dificilmente pagou menos de R$ 175 apenas para entrar na Bienal e comer um lanche no último dia do evento. Sem comprar nenhum livro.

“A percepção é que, neste ano, tivemos menos editoras e que os estandes foram menores. Isso tudo influencia a quantidade de livros vendidos”, continuou Eduardo. Segundo ele, o estande da Zahar teve as maiores filas no sábado (3) –o que vai ao encontro das demais editoras, que viram as vendas crescerem nos dois últimos dias.

Os descontos comuns no último fim de semana de Bienal somados ao fato de o fim do evento ter ocorrido no início do mês, quando o salário dos visitantes provavelmente já foi pago ou está próximo de ser, foram apontados como os principais motivos para o aumento das compras.

FENÔMENO YOUTUBER

Se os primeiros dias da Bienal não foram tão positivos para as editoras ao analisar o número de livros vendidos, o público que visitou o Anhembi no início da feira lotou corredores e a maior área de palestras do evento. O motivo tem nome e sobrenome: escolas e youtubers.

Os donos de canais de vídeo na internet foram as principais apostas da programação e das editoras neste ano. A esperança era a de que o sucesso deles no mundo virtual se convertesse em venda de exemplares –e gerasse um fenômeno similar ao dos livros de colorir. De fato, as palestras dos youtubers Kéfera, Lucas Rangel e Christian Figueiredo reuniram multidões de adolescentes que gritavam e tietavam enlouquecidamente.

A programação contou ainda com escritores de renome e profissionais ligados ao universo do livro, como os colunistas da Folha Ruy Castro e Gregorio Duvivier, Marcelino Freire, o cineasta Cláudio Assis, Marisa Lajolo e Ignácio de Loyola Brandão.

Publicado por Folha de S. Paulo

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