Resenha: “O Menino que desenhava monstros”, de Keith Donohue

Olá pessoal! Tudo bem com vocês? Hoje (depois de muito tempo, infelizmente), trago a resenha do livro O menino que desenhava monstros, publicado no Brasil pela DarkSide Books e escrito por Keith Donohue. Confira!

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Jack Peter é um garoto de 10 anos com síndrome de Asperger que quase se afogou no mar três anos antes. Desde então, ele só sai de casa para ir ao médico. Jack está convencido de que há de monstros embaixo de sua cama e à espreita em cada canto. Certo dia, acaba agredindo a mãe sem querer, ao achar que ela era um dos monstros que habitavam seus sonhos. Ela, por sua vez, sente cada vez mais medo do filho e tenta buscar ajuda, mas o marido acha que é só uma fase e que isso tudo vai passar.

Não demora muito até que o pai de Jack também comece a ver coisas estranhas. Uma aparição que surge onde quer que ele olhe. Sua esposa passa a ouvir sons que vêm do oceano e parecem forçar a entrada de sua casa. Enquanto as pessoas ao redor de Jack são assombradas pelo que acham que estão vendo, os monstros que Jack desenha em seu caderno começam a se tornar reais e podem estar relacionados a grandes tragédias que ocorreram na região. Padres são chamados, histórias são contadas, janelas batem. E os monstros parecem se aproximar cada vez mais.

Na superfície, O Menino que Desenhava Monstros é uma história sobre pais fazendo o melhor para criar um filho com certo grau de autismo, mas é também uma história sobre fantasmas, monstros, mistérios e um passado ainda mais assustador. O romance de Keith Donohue é um thriller psicológico que mistura fantasia e realidade para surpreender o leitor do início ao fim ao evocar o clima das histórias de terror japonesas.

Esse é mais um livro da DarkSide para ficar babando por ele. Acho engraçado que a editora prega a publicação (em sua maioria), de livros de terror/horror, mas quase nunca é o caso. Em sua maioria os livros são ótimos mesmo, mas não dão nenhum medo haha, como é o caso desse.

O menino que desenhava monstros é um livro extremamente gostoso de se ler, e trata da vida e dos dons de Jack Peter, uma criança com síndrome de Asperger e agorafobia. Claro, o livro não se trata apenas da vida dele, mas também dos dilemas que seus pais vivem para tratar dele, principalmente a partir do momento que coisas estranhas começam a acontecer.

O cenário exposto no livro transparece de uma forma limitada, apenas o essencial para a história ser contada, e o clima que Donohue transmite é de um inverno constante, com um toque sombrio das mentes turbulentas dos personagens do livro.

Durante grande parte da narração, temos apenas um encaminhamento para os fatos que realmente importam. A escritora faz questão da narrativa ser bem gradual e isso nos faz acompanhar minuciosamente o começo do que parece ser o colapso emocional e racional de uma família, depois que os eventos provocados por Jack Peter começam a acontecer.

Esse enfoque dado por Donohue nos dilemas de uma família, onde se tem uma criança especial, um pai que acredita nos médicos achando que seu filho vai acordar no dia seguinte como era anos atrás e na mãe que começa a acreditar no sobrenatural, trás certa tensão para o enrendo e começa a colocar várias expectativas no ar.

Página por página, fui posto de forma transitiva frente a frente com as descobertas de toda a situação e dos acontecimentos. Jack desenvolve um hobby (desenhar) e esse hobby passa a ser mais sério do que imaginamos, com raízes que abalam a rotina de toda a família.

Os personagens apresentados no livro não deixam nada a desejar, porém, é dado um enfoque maior para a mãe de Jack e suas confusões internas quanto ao marido, filho e as estranhezas que vem acontecendo, quando penso que tal enfoque deveria ser dado a Jack, o qual tem inúmeros pontos a serem explorados e tratados, envolvendo principalmente sua condição.

Uma coisa bastante interessante da qual gostei, é que em parte do livro, temos a perspectiva sobre os acontecimentos a partir do melhor e único amigo de Jack, o qual é obrigado a conviver com ele por alguns dias, e assim, ficar cara a cara com os monstros de Jack.

Sem falar no toque que a autora da aos monstros, os quais são expostos de uma forma bastante viva, com detalhes que são capaz de fazer você se arrepiar (você vai se lembrar do que estou falando quando chegar na parte dos “bebês” haha), mas claro, não assustam em nada.

Em certa parte do livro as coisas ficam realmente monótonas e vai dando aquele desânimo, mas felizmente, não demora muito para as coisas que importam realmente acontecerem.

Os fatos que se sucedem depois que os pais de Jack descobrem sua habilidade de criar monstros a partir de desenhos e depois que Jack começa a se encrencar com suas criações, colocando em perigo a vida de seu amigo, me deixaram com os olhos grudados nas páginas do livro, querendo saber logo o que iria acontecer e qual seria o final.

Claro, o livro não trás nenhuma reviravolta ou algo extremamente extraordinário, mas o final é algo sutil e muito bem elaborado, capaz de satisfazer nós leitores, como me satisfez, além de trazer aquela sensação depois de uma leitura ansiosa, que tudo ficará bem.

Sem dúvida alguma eu recomendo O menino que desenhava monstros, ele é uma boa pedida para você que está procurando algo delicado e inocentemente arrepiante.

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Informações Gerais:
Editora: DarkSide Books
ISBN:   9788594540010
Páginas: 256
Ano2016
Autora: Keith Donohue

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4 comentários sobre “Resenha: “O Menino que desenhava monstros”, de Keith Donohue

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