Resenha: “A última estrela”, de Rick Yancey

Com um desfecho menor do que o merecido, A última estrela apenas agrada e deixa uma sensação de frustração
estrelaInformações Gerais
Título original: The last star
Editora: Fundamento
ISBN: 9780399162435
Páginas: 264
Ano: 2016 
Autor: Rick Yancey
Nota Skoob: 3.8

A maior certeza que tive ao terminar de ler A última estrela é que Rick Yancey é um grande escritor. Ele tem o dom das palavras. Agora, se tem o dom de fazer grandes histórias, essa é uma dúvida. No momento, ainda não sei direito o que pensar sobre o desfecho da trilogia, que um dia já foi a minha preferida, e que defendia de todas as formas. Essa sensação também foi compartilhada por muitos leitores, segundo o que andei vendo. O livro não é ruim, mas parece que faltou alguma coisa, talvez a genialidade do primeiro, que sumiu nos dois seguintes.

Não dá pra falar muito da sinopse se não que vai servir como o fechamento da trilogia iniciada lá em A 5ª Onda, e que algumas respostas serão dadas – mas nem tão convincentes assim. Veremos bastante reflexão, assim como teve em O mar infinito, e alguma ação da metade pro fim – que é quando ele melhora relativamente. Não de uma forma clichê, mas também sem inovar ou reinventar a roda, há uma batalha entre o bem e o mal. Basicamente, chega a hora de enfrentar o inimigo, seja ele quem for, frente a frente.

A história inicia praticamente de onde o livro anterior terminou, e daquela forma lenta e um pouco confusa também. Aos poucos, as coisas vão acontecendo e a o livro vai se desenvolvendo. E é aí que está o problema. O desenvolvimento pecou. Pecou, especialmente porque o que vimos nos livros seguintes ao primeiro foi algo diferente do que o autor prometeu lá no primeiro. A ideia de A 5ª Onda e sua realização são espetaculares. Juntou alguns gêneros e deu tudo muito certo. Principalmente contando com uma escrita quase impecável. Digo, sem medo, que ele é um dos meus livros preferidos da vida. Mas desandou depois.

Talvez seja um pouco daquela máxima de que o próprio leitor espera demais principalmente quando se trata de um livro preferido. Mas a real impressão que fica é que o autor tinha uma ótima ideia pra começar e pouca noção de como acabar. No entanto, não sabia como ligar o início ao fim, e aí ficou essa confusão. Mas eu preciso dizer que o livro não é ruim, tudo isso falo baseado no sentimento de um leitor que considerava esta a melhor trilogia da vida e que não aconteceu. A última estrela é melhor que O mar infinito – que pareceu tão desnecessário.

Mas vou além. O segundo e o terceiro livros poderiam facilmente se juntar e tornar um apenas. Até por que o autor cria várias possibilidades para continuação da história que dariam um possível terceiro livro. E com isso não estou dizendo que ele deixou pontas soltas. Mas ele deixa possibilidades. A história tem mortes, tem dor, tem reflexão. Tem decisões e medos. Algumas descrições – um ponto em que Rick manda muito bem – são pontuais e bastante exatas.

Agora, falando um pouco sobre os personagens. Cassie, que começou como uma das melhores protagonistas juvenis que tenho conhecimento, terminou como uma menina chata e muito mimada, em nada coincidindo com a situação que ela vivia: uma invasão alienígena. Ben permanece da mesma forma desde o início. Gosto dele, mesmo que ele não tenha tido uma função de destaque, a não ser um par para as meninas e um ombro para Sam. Aliás, por falar em Sam, acho que ele foi o melhor personagem ao longo de toda a história. Soube amadurecer muito bem e Rick não perdeu a mão ao escrever ele no terceiro livro. Especialista, que praticamente roubou o papel de protagonista em O mar Infinito, mantém o destaque aqui. Gosto muito dela e de suas atitudes. Uma personagem muito inteligente, coisa que Cassie não soube ser. Sobre Evan, não tenho muito o que dizer. Suas principais menções são spoilers.

Sobre o fim do livro, e algumas atitudes mais ousadas do autor, eu gostei. Gostei sim de algumas decisões e de alguns caminhos tomados. Gosto de atitudes drásticas quando elas são bem embasadas e acrescentam à história e isso aconteceu. Gostei também que, no fim, depois daquele tal combate entre bem e mal, o mundo não virou a maravilha que era antes. Não. Nada disso, pelo contrário, existem ainda todos os riscos, mas de outra forma. Talvez aqui é que more um dos problemas. Ficou tudo muito em aberto.

O livro tem poucas páginas, é rápido de se ler. A diagramação da Fundamento consegue manter um mesmo padrão em relação aos outros dois. Os capítulos são divididos dentro de uma mesma página, não gostei muito. Mas a leitura é fluida. A escrita é, sem sombra de dúvida, o principal destaque de toda a trilogia. Rick é o mestre das palavras. Apesar de às vezes um pouco confuso, o texto dele é poético, simples, reflexivo. Nos faz pensar, não entrega mastigado. Tudo está nas entrelinhas – lembro que disse isso na primeira resenha da trilogia e chego ao fim não só constatando, mas também confirmando que ele evoluiu. Tirando o fato de que ele pareceu se perder um pouco no meio, o considero um grande escritor e fico ansioso para ler histórias que virão depois dessas, com um Rick mais maduro ainda. Para o livro, nota quatro.

Notas 4

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