Youtubers tomam lugar dos escritores como principais destaques da Bienal

A organização da 24ª Bienal Internacional de São Paulo, que acontece entre os dias 26 de agosto e 4 de setembro no pavilhão de exposições do Anhembi, realizou ontem pela manhã um encontro no qual anunciou como será a edição deste ano do evento. Na ocasião, Luis Antônio Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro, ressaltou que a crise financeira que o país vive é inegável e que, neste momento, é imprescindível apostar nos jovens, o grande público consumidor de livros no país. Juntando essas duas frentes, o que teremos será uma Bienal na qual as principais atrações não serão os escritores, mas sim estrelas da internet.

bienal sp 2016

Nomes como Lucas Rangel, Kéfera Buchmann, Jout Jout e PC Siqueira, os youtubers, atraem milhões de jovens para seus canais de vídeos na rede. Pela força mercadológica que se transformaram, acabaram sendo chamados por editoras para que publicassem livros, quase sempre somente adaptando o conteúdo apresentado na web para linguagem escrita. São eles que hoje encabeçam as listas dos mais vendidos no país.

Justamente esses profissionais cujo trabalho principal precede o livro e cujas obras são apenas um apêndice comercial de tudo o que fazem serão os maiores nomes do evento. Atrairão multidões, é certo, bem como outras estrelas que trilharam caminho semelhante, ainda que feitos em outras áreas, como o padre Marcelo Rossi, o chef de cozinha Jefferson Rueda e o humorista Ari Toledo. A certeza é que anda cada vez mais difícil para o mercado editorial encontrar – ou investir – em escritores que atraiam grande público somente pelo que apresentam em seus livros, sem nenhum outro tipo de apoio, que não sejam celebridades ou pseudocelebridades de campos alheios.

Ainda privilegiando o público jovem haverá autores internacionais como Ava Dellaira Jennifer Niven, Amy Ewing e Tarryn Fisher, que fazem uma literatura mais voltada para o simples entretenimento do que preocupada em produzir algo de grande valor estético. Como aconteceu na última edição do evento, quando Cassandra Clare causou furor entre seus fãs, também deverão atrair um bom público.

E, em algum canto do pavilhão do Anhembi, haverá o Salão de Ideias, que reunirá nomes como Ignácio de Loyola Brandão, Braulio Tavares, Conceição Evaristo, Jessé de Souza e Mary del Priore, um “espaço que trará discussões atuais com questões de relevância social e literatura”, como aponta o texto de apresentação da Bienal. Ora, mas não deveria ser esse o principal foco de um evento voltado ao livro? Não quando são exclusivamente os números e as vendas que ditam o que deve ser feito.

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