Resenha: “O Motivo”, de Patrick Ness

A guerra é o único caminho para a paz?

mundo rm caosInformações Gerais
Título original: The knife of never letting go
Editora: Pandorga
ISBN: 9788561784119
Páginas: 447
Ano: 2011
Autor: Patrick Ness
Nota Skoob: 4.3

Veja só como são as coisas: comprei O motivo sem nem saber ao certo “o motivo”. Assim que ele chegou, estava prestes a largá-lo na estante e deixá-lo por lá até só Deus sabe quando. Mas a falta de um outro livro da minha lista me fez lê-lo e, caramba, que bom que isso aconteceu. História bem construída, personagens bem desenvolvidos, uma ótima escrita e muita ação – de tirar o fôlego – norteiam o primeiro volume da série Mundo em Caos e que me prendeu logo no início.

Nesta obra premiadíssima de Patrick Ness, o mundo está dividido em dois. O Velho e o Novo Mundo. Uma parcela do Velho Mundo partiu rumo ao desconhecido com a intenção de criar uma nova sociedade, livre da guerra e da dor do mundo como o conhecíamos. Alguns anos depois, de certa forma essa sociedade já está “implantada” no chamado Novo Mundo. É quando conhecemos Todd, o último garoto da colônia de Prentissburgo, onde só vivem homens – crianças e mulheres morreram. Ele está prestes a completa 13 anos e se tornar um adulto. No entanto, um acontecimento muda todo o padrão do que vinha acontecendo nos últimos anos e ele se vê obrigado a fugir da comunidade em que vive. Ele parte ao desconhecido e a partir daí uma enxurrada de revelações surpreendentes vão inundar a vida do nosso protagonista.

Escrito em primeira pessoa, o livro não nos dará um respiro sequer ao longo das páginas assim que Todd fugir de Prentissburgo. É muita ação, vários acontecimentos e revelações que vão nos prender do início ao fim. Patrick, definitivamente, não quis dar sossego ao leitor. E ele conseguiu com maestria reunir duas coisas importantíssimas pra o sucesso de um livro: uma história bem construída e profunda aliada ao ritmo alucinante que não cai ao longo das páginas. Certamente, ingredientes fundamentais para fazerem de O motivo o sucesso que é – especialmente lá fora, já que no Brasil não é uma série tão conhecida.

O autor Patrick Ness

O autor Patrick Ness

Constantemente em movimento, o livro nos mostra essencialmente a sede de poder do ser humano e até onde isso pode levar e o que isso também pode desencadear. É uma crítica real ao nosso mundo. E tudo isso numa visão de uma criança. Todd é uma criança inocente em meio a uma sociedade que busca a paz, mas para chegar até ela pode usar os piores meios. Ele não entende muito bem isso, especialmente por não conhecer a verdade sobre onde vive. Mas com o apoio inicial de Ben e Cillian, seus protetores, e depois de Viola – personagem importante – ele vai chegar a verdade, mesmo que para isso ele tenha que se tornar homem antes da hora na base de muita dor.

O autor realmente não tem dó ao descrever algumas cenas. Muita violência e detalhes dolorosos. Com uma escrita detalhada e diálogos muito bem construídos e naturais ditos por uma criança, O motivo realmente nos cativa ao longo das páginas – ele definitivamente escreve muito muito bem. Existem vários personagens bem construídos. Boa parte deles são de má índole, outros, nem tanto… A Hildy e o Tam são personagens marcantes, assim como Wilf. A loucura latente de Aron assusta. Mas quem realmente nos conquista é Manchee, o cachorro de Todd. Eu quero ele pra mim. Ahh, algo que esqueci de comentar é que nesta história os animais “falam” e o pensamento das pessoas é ouvido.

Knife_of_Never_letting_Go_cover

Capa original

Sem dúvida o livro merece cinco estrelas, mas não será favoritado porque algumas explicações não se encaixaram como eu acredito que deveria ser. Também pelo fato de ser uma história que oscila muito entre infantojuvenil e young adult. Não consigo definir o público específico e isso se refletiu na escrita que em alguns momentos desandou mais para o primeiro do que o segundo. Além disso, o premiado livro é de 2008, mas por se tratar de distopia – e como eu já as li em demasia – lembrou muito outras histórias e isso acabou incomodando um pouco pelo tanto de referências – mas não estou dizendo que é cópia, mas o padrão seguido por uma distopia.

Sobre a parte física, não gostei da capa, muito feia para uma boa história, e também não entendi muito bem o título traduzido, uma vez que nos Estados Unidos se chama The Knife of Never Letting Go, mas não atrapalhou. A diagramação interna agradou. Letras e espaçamento num padrão que gosto. Destaque positivo para a escrita diferenciada quando se trata do pensamento dos personagens. Enfim, cinco estrelas e a curiosidade master para ler a continuação depois de um final que deixa muitas perguntas e incertezas no ar.

Notas 5

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